“Pai de muitos filhos” é uma expressão coadjuvante à de “mãe de muitos filhos”, epíteto com que Elza Timóteo Franco, esposa de Offini, ficou conhecida depois de receber essa deferência do Espírito Santo, numa palavra profética dirigida a ela em 1972, anunciando os filhos espirituais que estavam a caminho. Mais de 36 anos são passados, e hoje esses filhos são abundantes e incontáveis e se espalharam pelo Brasil e pelo mundo. Naquela ocasião, como desdobramento da mesma palavra profética, Offini Franco recebeu o encargo de abençoar e consolar o povo prometido a Elza. Enquanto “ela” gerava – numa referência à origem religiosa comum que mantinha com os filhos que se aproximavam –, “ele” executava o trabalho de edificação e manutenção. Uma bela figura da interação entre a igreja e o ministério. Para conhecer a história profética desse casal, aconselhamos a leitura do livro “Mãe de muitos filhos” (adquira o seu neste site). O texto a seguir é a transcrição, na íntegra, da breve mensagem de encerramento proferida por Offini em 30 de novembro de 2008 na Conferência “A igreja de nosso tempo”. Na madrugada seguinte, ele seria chamado pelo Senhor.
Eu estou contente por poder estar aqui. Pensava que não viria. Já estamos, por circunstâncias alheias à nossa vontade, aposentados, ou estão querendo nos aposentar, mas estamos muito alegres por poder participar e ouvir várias palestras que vieram inundar o nosso coração, alegrando a nossa alma e, conseqüentemente, o nosso espírito.
Deus está presente, está fazendo uma obra maravilhosa. As transformações que há nos corações são uma bênção. Conforme o pastor [Ulysses] disse, nós também somos de berço evangélico. Para que vocês tenham uma idéia, o meu bisavô se converteu lendo um Novo Testamento e foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Independente. Quer dizer, é uma ramificação muito grande. E nós também nascemos em berço cristão. Meus pais eram cristãos de vivência, mas eu era um cristão “meio a meio”.
Depois de casado, vivi sempre muito bem. Minha esposa, católica, dava melhor testemunho cristão que eu, evangélico. Tive que batalhar muito para conseguir pelo menos nivelar a espiritualidade que ela havia alcançado. Não é a igreja que salva, mas é Cristo que salva. É o sangue de Jesus Cristo que purifica de todo o pecado.
Depois de ter sido alcançado pelo avivamento, houve uma transformação radical na minha vida. Como a Igreja Independente não era afeiçoada ao avivamento, aos dons espirituais, nós fomos então excluídos da igreja. E eu fui um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Renovada de Osasco, que depois se estendeu aqui por Sorocaba, Capão Bonito, Porto Feliz, Americana, Campinas, por aí afora. Cresceu muito. Uma boa igreja.
Como minha esposa era da igreja católica [e, motivada por meu Pentecostes, estava também atrás da mesma experiência], conhecemos um padre [Eduardo Dougherty, recém-chegado do Canadá, onde estava experimentando o avivamento], muito amigo, cristão. Ele freqüentava a nossa casa, conversávamos muito sobre as coisas de Deus. Extraordinário, muito amigo. E um dia, alguém, o Cláudio [um jovem sedento], querendo melhorar a vida espiritual, procurou o padre e este o mandou até nós: “Onde você mora?” [perguntou o padre]. “Barueri” [respondeu Cláudio]. “Então vai lá na casa do Franco e conversa com ele”. E nós começamos então a evangelizar. Vieram o Cláudio, a Vera, o Pedro e outros, e o grupo cresceu. Deus abençoou, e o grupo cresceu.
Mas o nosso desejo era plantar no coração desses jovens o verdadeiro sentido da vida cristã. Nós estávamos na Igreja Renovada, igreja avivada, muito boa, mas também havia lá os cristãos que não eram tão cristãos, ou evangélicos [como as pessoas dizem hoje]. Hoje evangélico é popular. Todo mundo quer ser evangélico. Mas cristão autêntico, poucos. E nós começamos a trabalhar com esses jovens, o grupo cresceu, e a diretoria da Igreja começou a perturbar o pastor para que eu levasse os jovens para lá. Mas eu pensei: “A igreja não salva ninguém. Quem salva é Jesus. Se eles têm Jesus, eles estão salvos”. E davam testemunho. Mas a diretoria insistia. Eu me aborreci com aquilo e chamei o pastor. Muito amigo. Era um Pastor. Nós precisávamos fazer vigília, e ele dizia: “Estão aqui as chaves. Podem vir fazer vigília aqui na igreja”. Nós íamos todos para Osasco fazer vigília na igreja, e ele gostava do grupo. Muito amigo.
Foi muito difícil. Mas eu me aborreci e falei: “Pastor, o senhor não vai ser mais molestado por minha causa. Eu estou saindo da Igreja”. Mas como ocupava muitos cargos – era presbítero, superintendente da escola, tesoureiro, secretário do sínodo do presbitério –, então não podia deixar todos assim [imediatamente]. Mas, à medida que se reunia a assembléia e havia votação, eu não aparecia para não ser eleito, e fui me desfazendo de todos os cargos. Quando a última eleição se realizou, eu me despedi da Igreja e fui pastorear os jovens, e hoje estamos aqui.
E esses jovens, com a misericórdia de Deus, dão testemunho de uma vida cristã abundante. Há, no grupo, alguns que ainda periclitam por aí, mas da maior parte o Espírito Santo tem tomado conta. E eu não tenho dúvida de que foi uma obra que Deus desejava que fosse realizada. Sofremos muito, fomos muito perseguidos, choramos muito. Tinha que aconselhar os jovens porque eles eram injuriados pelos pais por causa da mudança de vida. Foi muito difícil, mas Deus é Senhor.
Havia lá em Barueri o Rotary Club. [Um de seus membros ilustres] tinha duas filhas na faculdade. Ia acontecer um baile, e ele exigiu que as filhas comparecessem, mas as filhas não queriam ir e apareceram em minha casa [para se aconselharem]. Elas disseram: “O papai exige nossa presença no baile. Como faremos?”. Situação difícil, muito difícil. Mas Deus nos orientou. Oramos com elas e dissemos: “Vocês vão ao baile. São seus pais, têm autoridade sobre vocês. Mas cheguem lá na sua casa, entrem no quarto, fechem a porta, orem a Deus, entreguem o seu pai e a sua mãe nas mãos de Deus e podem ir ao baile”. Oramos com elas, e elas foram. No outro dia, ou no dia subseqüente, elas apareceram em casa [e contaram]: “Fomos ao baile. Ficamos até às duas horas sem que ninguém nos tirasse para dançar”. Elas foram ao pai e disseram: “Papai, nós estamos aqui desde as 10 horas e ninguém nos tirou para dançar. Podemos ir embora?”. “Podem ir embora”.
Mas choramos muito juntos; sofremos muito juntos. As nossas reuniões eram em casa, então o pároco, padre Danilo, proibiu que elas acontecessem na minha casa. Amados, foi difícil. Nós, com um grupo grande de jovens, saíamos pelas estradas, embicávamos no mato e íamos pregar o evangelho debaixo das árvores. Andávamos até 12 quilômetros para poder fazer reunião: de Barueri a Santana de Parnaíba. Pendurávamo-nos pelos barrancos. É uma história muito longa. Aventura até difícil de contar.
E o tempo passou. Os jovens estão dando testemunho. Hoje já não são mais jovens, mas pais, já são avós. Estou vendo que eu envelheci, mas estão todos por aí. Não é brincadeira, mas eu fico contente por vê-los saudáveis, firmes. E são sucessores que vão continuar essa obra por aí. E muita coisa aconteceu.
Mas eu gostaria de contar só mais um testemunho. É de uma jovem senhora casada, que se converteu no nosso grupo. Ela é de Recife. Deus faz algumas coisas que a gente às vezes não entende. Ela viajava muito: para o Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte. Ela é executiva. [Numa dessas viagens], chegando em SP, conheceu uma moça que é do grupo. Era sexta-feira. Essa moça estava com a mala pronta para ir a um encontro em Sorocaba. “Eu posso ir?” [ouviu da recifense]. O encontro não era para principiantes, mas para quem já estava bem na caminhada. “Eu não posso resolver isso, mas vou falar com alguém” [foi a resposta possível no momento]. E no fim foi cair nas mãos do Pedro [Pedro Arruda]. Telefonaram para o Pedro para verificar se a moça poderia ir. Eu, sinceramente, acho que não deixaria, mas o Pedro permitiu que ela viesse. E ela veio e se converteu. Chorou a noite toda copiosamente e se converteu e dá um testemunho espetacular.
Um dia ela telefonou lá em casa, preocupada, e disse: “Seu Franco, olha, meu marido está indo na Igreja Anglicana e quer que eu vá com ele”. “Pegue na mãozinha dele e leve-o para a igreja. Vá junto com ele. Não o abandone. Porque amanhã ele vai deixar a igreja e dizer que você foi a culpada por ele não continuar lá” [Franco respondeu]. Mas ele não foi perseverante, logo abandonou, e ela ficou livre também de ir à igreja. E ela fez um trabalho espetacular na favela com as gestantes. Visitava, levava médico, mandava fazer exame de AIDS, de tudo, dava um enxoval para cada criança que nascia, e começou a fazer um trabalho com os jovens do local. Juntou 100 garotos da favela na casa do pai dela. Tinha uma sala de aula em que evangelizava. Este ano ela está com 360 garotos da favela, evangelizando. No mês passado, ela ligou pra mim e disse: “Seu Franco, uma escola aqui convidou-me para estender esse projeto a eles”. São 1300 alunos, e ela está então se organizando pra começar a trabalhar na escola. Fruto do amor de Deus, de um coração resignado, um coração que tem Jesus.
Amados, nós precisamos é viver o evangelho. Os frutos vêm da vivência; a transformação não é o homem que faz, vem do ensino da Palavra, e a Palavra é vivificada nos corações e vem a transformação porque só o Espírito Santo tem o poder de mudar o coração do homem, ninguém mais. Graças a Deus, o Espírito Santo de Deus tem sido persistente no nosso meio, e muitas almas têm se aproximado do Senhor. Eu não tenho mérito nenhum nisso. Há pouco tempo, o Senhor veio e falou comigo: “O teu povo…” – Porque eu oro pelo povo de Israel todos os dias, todas as manhãs e todas as noites. É uma recomendação bíblica. – “O teu povo…”. E eu falei: “Senhor, este não é o meu povo. Eu fui usado para falar de Jesus, o teu Espírito Santo tocou nos corações e os converteu. Eles são o teu povo. Não tenho mérito nisso”. Mas toda a honra e toda glória à Santíssima Trindade que tem honrado este trabalho que Deus colocou no nosso coração. Aí vocês estão vendo o fruto, o testemunho de uma vivência, um povo que está procurando viver o evangelho, hoje tão desmoralizado… as igrejas estão tão fracas, e eu sofro com isso também e oro por elas.
Mas dia virá em que o Senhor vai fazer um rebuliço muito grande e não está longe, amados, porque há uns 4 anos, Deus nos avisou: o mundo está caminhando para o governo mundial. Nós já fomos avisados. Há pouco tempo, ele falou novamente. Veio o terrorismo, está aí uma crise econômica mundial. O que falta para o anticristo tomar posse, para o governo mundial do anticristo? E quando o governo mundial tomar posse, ele não vai permitir igreja. Ele é o anticristo. Então vamos nos preparar para a perseguição que virá. Eu já tenho falado isso. A perseguição vem aí. Ou vai se converter pelo amor, ou pela dor. Nós deveremos nos preparar para o que vem pela frente. E não estamos longe de termos o governo mundial. O terrorismo e essa crise econômica vão empurrar as nações para o governo mundial, e todos nós somos responsáveis pelas almas que estão por aí. Temos que lutar.
Não importa a igreja aonde você vai. Conforme foi dito aqui, é o testemunho que tem que falar mais alto. Quem sou? Eu sou de Jesus. Eu sou cristão. Eu vivo o evangelho: vamos lutar, mas ganhe o teu vizinho para o Senhor. Deus já nos ensinou como ganhar o vizinho. Ganhe o vizinho para o Senhor. Ganhe o teu colega de trabalho para o Senhor. Estamos no fim, amados. Estamos no fim. Será que sou eu que estou no fim?
Mas eu fiquei muito contente em conhecer vários irmãos. Que Deus possa abençoar todos esses que se deslocaram para vir aqui. Foi muito bom encontrá-los novamente, conhecer novos amados irmãos em Cristo. Fico muito feliz por vê-los. Temos aí o Haroldo, o Christopher, seu João Walker, Ulysses, Pastor Hugo, grandes companheiros, pastor Jobel, pastor Ronaldo, grandes homens de Deus que não faziam acepção de religião, mas queriam apenas saber se o indivíduo era cristão. Isso que é importante. Não é a igreja, mas Cristo no coração e o Espírito Santo nos orientando para caminharmos para o final dessa jornada.
Portanto preparem-se. Muita coisa vai acontecer. Glórias a Deus por isso. E eu quero viver para ver. Eu não falei para o Senhor nada, mas o Senhor sabe o que eu tenho no coração. Eu quero chegar aos 91 e ler o Salmo 91. Isso ele sabe porque eu falo para todas as pessoas que me circundam. E espero alcançar esse objetivo. Que Deus abençoe a todos! Vão na paz do Senhor, que o Espírito Santo, que é muito sábio, ilumine as nossas mentes, o nosso coração para as coisas que vão acontecer. E saibamos escolher o caminho que vamos seguir para orientar também, porque aqui estão os pastores, os membros, que têm a responsabilidade sobre as almas e vão responder por elas ainda, não é? Isso é que é difícil. Ensinou errado, vai pagar. Que Deus abençoe os amados que aqui estiveram, abençoe a todos vocês. A paz do Senhor a todos!