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> <channel><title>GrupoNews &#187; Matérias</title> <atom:link href="http://www.gruponews.com.br/assuntos/materias/feed" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.gruponews.com.br</link> <description>Igreja no lares. Entre que a casa é sua.</description> <lastBuildDate>Thu, 02 Feb 2012 13:20:38 +0000</lastBuildDate> <language>pt_br</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator> <item><title>Subitamente afastado da correnteza</title><link>http://www.gruponews.com.br/2012/01/subitamente-afastado-da-correnteza.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2012/01/subitamente-afastado-da-correnteza.html#comments</comments> <pubDate>Sat, 07 Jan 2012 02:00:31 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1976</guid> <description><![CDATA[Eu, Neide e as crianças, nós todos, juntos, estávamos descendo rio abaixo, levados pela correnteza. Éramos pequenos pedaços de madeira num rio bem largo e vigoroso. Eu e a Neide, pedaços um pouco maiores; as crianças, pedaços menores. Alternávamo-nos nas posições: às vezes eu ficava à frente, outras vezes era a Neide. Mesmo as crianças, [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Eu, Neide e as crianças, nós todos, juntos, estávamos descendo rio abaixo, levados pela correnteza. Éramos pequenos pedaços de madeira num rio bem largo e vigoroso. Eu e a Neide, pedaços um pouco maiores; as crianças, pedaços menores. Alternávamo-nos nas posições: às vezes eu ficava à frente, outras vezes era a Neide. Mesmo as crianças, em algum momento, tomavam a dianteira. Entretanto sempre estávamos juntos e próximos uns dos outros, conforme a força da correnteza que nos levava.</p><p>Durante toda nossa vida como família, sempre foi assim. Bem, pelo menos até aquela longa noite de sexta-feira, na qual me vi subitamente encalhado na margem do rio, completamente preso. Nosso destino era percorrer todo o caminho até o oceano. Dirigíamo-nos para este alvo, juntos, seguindo nossa jornada até aquela fatídica sexta-feira, quando tudo mudou. Fiquei para trás, encalhado na margem, imóvel, enquanto a correnteza do rio continuou seguindo adiante, levando tudo e todos rio abaixo, seguindo seu rumo, indo para o oceano. Neide e meus filhos foram se distanciando, distanciando, levados adiante pelo fluxo da água. À medida que permaneci imóvel, impotente, preso à margem, vendo-os seguir rio abaixo, um terror tomou conta de mim. Nunca havíamos nos separado tanto! Estava eu condenado a ficar encalhado ali?</p><h3><strong>De como me vi de repente encalhado </strong></h3><p>Já fazia algumas horas que sofria com uma dor de cabeça pulsante e permanente, que se estendia até o pescoço e me impedia de movê-lo, como um torcicolo não anunciado. Um pouco antes do sentimento de ser um pedaço de madeira encalhado me dominar, estava eu no quarto de hóspedes, tentando ocupar a minha mente com a arrumação do cômodo e, assim, atenuar aquela dor de cabeça insistente e incomum. Estava tentando me concentrar na seleção e descarte dos papéis antigos que abarrotavam a estante, quando me deparei com um recorte de jornal que discorria sobre aneurisma cerebral. À medida que fui lendo o recém-achado artigo, fui identificando cada um dos sintomas que inexplicavelmente vinha sentindo nas últimas horas. Fiquei confuso com a leitura, e após ponderar e hesitar por um instante, joguei o achado de lado. Segui adiante com minha limpeza, descartei mais alguns papéis, e então me deparei com uma revista antiga que havia guardado em virtude de a matéria de capa versar sobre educação infantil. Entretanto, no canto superior esquerdo da capa, vi uma chamada que alertava: “Cresce o número de AVCs (derrame cerebral) entre os jovens.” Abri a revista imediatamente e li a matéria de ponta a ponta. Mais uma vez, os sintomas foram sendo assustadoramente identificados: forte e repentina dor de cabeça, cansaço físico, distorção da visão, sonolência, fraqueza. Os dois artigos encontrados seriam apenas uma infeliz coincidência, ou encontrá-los era a resposta divina para a inquietação na qual estava imerso naquelas últimas vinte e quatro horas?</p><p>É importante ser dito que, na verdade, outros sintomas, como perda de memória, perda de movimentos de um lado do corpo e convulsões, eu<em> ainda </em>não havia sentido. Será que estariam a caminho? Eu sabia que algo muito sério estava ocorrendo com o meu cérebro, desde aquela pontada que senti na cabeça no início da manhã, mas eu não sabia exatamente o que era, pelo menos não até aquele momento. Por que aqueles artigos haviam caído na minha mão justamente naquela noite? Ao terminar a leitura da revista, veio-me aquele sentimento do pedaço de madeira e o rio. E veio de forma contundente e avassaladora, não havia mais como controlá-lo ou como lutar contra ele, pois falava tão alto e audível quanto as minhas orações silenciadas até então pela atividade de arrumar o quarto.</p><p>Como de costume, as crianças estavam correndo e gritando pela casa, apesar da hora avançada da noite. Enquanto minha cabeça latejava, mais forte agora devido a uma torrente de emoções que tinham vez ao tentar digerir o que eu havia lido, as crianças corriam frenéticas, felizes e barulhentas, alheias ao que eu estava enfrentando. Era fato que o sintoma mais assustador, o turvamento da visão, já havia passado (durou pouco tempo, talvez menos de dois minutos), mas os demais estavam se intensificando. Não havia dúvida de que algo muito sério estava acontecendo dentro da minha cabeça. Eu precisava compartilhar meus profundos temores com alguém!</p><p>Reuni forças e pus ordem na bagunça das crianças. Como um pai que se farta das brincadeiras infantis, proferi ameaças e disparei palavras de ordem. Eu precisava que as crianças fossem para a cama imediatamente, pois eu queria conversar com a Neide, com urgência. Ela estava na cozinha retirando a louça do jantar, ainda na expectativa de que minha dor de cabeça houvesse cessado.</p><p>Ao sentar a sós com ela na mesa da cozinha, o abrir a boca para relatar-lhe o que eu temia abriu também as comportas do meu coração. As lágrimas jorraram tão fortes e inesperadas que surpreenderam até a mim. Mas eu não tinha mais forças para impedi-las. Quando me dei conta, estava com a cabeça entre as mãos, e um rio vertia dos meus olhos. Eu estava preso na margem. Choramos juntos, acuados e assustados, naquela noite que viria a ser a mais longa da minha vida.</p><h3><strong>Rio abaixo novamente</strong></h3><p>As dores de cabeça e do pescoço não me permitiram dormir, a não ser por curtos intervalos de poucos minutos, quando o cansaço me vencia. O medo de um derrame cerebral iminente acompanhou-me durante toda a madrugada até o clarear do dia. A Neide, dias depois, revelou-me que nestes intervalos em que eu adormecia, ela impunha as mãos sobre minha cabeça e orava. Estávamos lutando juntos.</p><p>Após estas longas vinte e quatro horas de crise, demos início a uma sucessão de tentativas de agendamento médico e atendimentos de emergência. Por fim passamos por um clínico geral e dois neurologistas. Agora, decorridos alguns meses desde a crise inicial, após uma ressonância magnética do crânio, uma angiorressonância magnética arterial intracraniana, uma angioressonância magnética arterial cervical, dois neurologistas e várias consultas, é sabido o que eu tive: o entupimento da artéria carótida direita (veia do pescoço que leva o sangue ao cérebro), decorrente de uma dissecção arterial. Um evento como esse geralmente resulta em um AVC (derrame cerebral), que comumente deixa sequelas.</p><p>Meu neurologista, após fazer uma longa entrevista e avaliar demoradamente as lâminas das ressonâncias e da angiografia, disse-me em tom solene: “Meu rapaz, você não faz ideia da sorte que teve. Você tem que agradecer a todos os santos e a todos os anjinhos do céu. Você é um rapaz de muita sorte.”</p><p>Ouvi atentamente sua avaliação, suas explicações e seus comentários. Enquanto ele me mostrava as imagens e calmamente explicava todo o processo pelo qual eu havia passado, fui revendo as vinte e quatro horas críticas, e então entendi o quanto meus temores e apreensões estavam adequados. À medida que ele ia calmamente explicando, recostado em sua poltrona, os dedos entrelaçados repousando sobre a mesa, o motivo das dores, a razão do pescoço rígido, a luta do cérebro pelo redirecionamento do suprimento de sangue, o olho esquerdo momentaneamente sem oxigênio, sentia que o peso que eu vinha carregando até ali saía das minhas costas. Fui ficando mais leve, mesmo com a garganta embargada e chocado com todos os detalhes revelados. E então, ali, durante aquela consulta médica, os galhos que me prendiam à margem foram me liberando. De repente, eu estava novamente em movimento. Estava no curso do rio novamente, descendo em direção ao oceano. Encontraria a Neide e as crianças em breve.</p><p>Enquanto caminhava em direção ao metrô, aquele rio que havia desaguado dos meus olhos voltou, mas agora o motivo era outro: eu estava descendo o rio novamente, não estava mais encalhado na margem. Estava novamente na correnteza, rio abaixo, na direção da Neide e das crianças, que eu já avistava adiante. Eu tinha um forte sentimento de que o rio não era mais o mesmo, afinal ninguém se banha no mesmo rio duas vezes. Mas eu também não era mais o mesmo. Estava de volta ao curso do rio e, pela primeira vez, enxergava-o como ele realmente é. Agora a Neide e as crianças já estavam ao alcance da minha visão, e pareciam estar diferentes. As crianças brincavam, pulavam, barulhentas como sempre, mas estavam diferentes. A Neide também estava. Tentei descobrir o que havia mudado: a roupa? O cabelo? As brincadeiras? Nada! Foi então que entendi. Elas não haviam mudado. Eu é que havia! E hoje isso faz toda a diferença.</p><p>Encontrá-los novamente nesta jornada foi um bálsamo restaurador. A experiência de ser deixado para trás foi marcante e ficará para sempre registrada em minha alma.</p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2012/01/subitamente-afastado-da-correnteza.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Problemas no coração do profeta</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/12/problemas-no-coracao-do-profeta.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/12/problemas-no-coracao-do-profeta.html#comments</comments> <pubDate>Wed, 28 Dec 2011 02:00:22 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1974</guid> <description><![CDATA[Este artigo é o décimo de uma sequência sobre dons proféticos, assunto que o autor vem pesquisando desde 2002 e compartilhando em muitos lugares.    No artigo de número 6 desta seção, falamos um pouco sobre os princípios de interpretação de uma palavra profética, destacando que toda profecia é composta por 3 fases: Revelação – [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><em>Este artigo é o décimo de uma sequência sobre dons proféticos, assunto que o autor vem pesquisando desde 2002 e compartilhando em muitos lugares.   </em></p><p>No artigo de número 6 desta seção, falamos um pouco sobre os princípios de interpretação de uma palavra profética, destacando que toda profecia é composta por 3 fases:</p><ul><li>Revelação – o que Deus nos mostrou, muitas vezes de forma simbólica e por enigmas;</li><li>Interpretação – quando descobrimos o significado da palavra profética;</li><li>Aplicação – ou que atitude teremos a partir daquela revelação.</li></ul><p>Vimos que a maioria das pessoas não têm problemas com a revelação em si, mas com interpretações erradas do que receberam da parte de Deus. E, por conseguinte, se a interpretação foi errada, as atitudes tomadas a partir disso também o serão.</p><p>Vimos que precisamos depender de Deus também para interpretar, e não usar da lógica humana ou até mesmo chegar a conclusões precipitadas para assuntos que nos parecem tão claros.</p><p>Para uma correta interpretação, não basta apenas termos uma compreensão do simbolismo. A interpretação passa por um processo em que nosso entendimento desses princípios interage com nossa sensibilidade ao Espírito Santo e também com a postura de nosso coração, se está ou não limpo e totalmente entregue ao Senhor.</p><p>Existem dois problemas em nosso coração que podem causar erros de interpretação, mesmo quando temos entendimento sobre o simbolismo na profecia:</p><ol><li>Quando nosso coração não está bem com Deus (um espírito de orgulho nos torna “não ensináveis”, o que leva a falsas interpretações);</li><li>Quando nosso coração não está bem em relação às pessoas a quem estamos ministrando (feridas, amarguras, preconceitos).</li></ol><p>Nosso coração precisa estar reto diante de Deus e puro perante as pessoas para que possamos interpretar corretamente as revelações proféticas. Uma revelação nos é dada como uma pedra para edificação e, quando é mal interpretada, torna-se para nós uma pedra de tropeço. Devemos crescer em conhecer o simbolismo, e também precisamos manter nosso coração cada vez mais purificado diante do Senhor, para sermos usados profeticamente. Ter comunhão com Deus é o elemento mais importante para interpretação de sonhos, visões e revelações (Ap 19.10b).</p><p>José e Daniel foram usados por Deus para interpretar sonhos mais que qualquer outra pessoa na Bíblia. Tinham ministérios e chamados muito semelhantes e trilharam caminhos totalmente diferentes até que Deus pudesse usá-los em seu propósito. José demonstrava ser orgulhoso desde a juventude, enquanto que Daniel escolhera o caminho da humildade. Os anos de sofrimento na vida de José foram necessários para quebrantá-lo e amadurecê-lo, o que podemos perceber em sua posição diante dos irmãos (Gn 37) e depois diante de Faraó. Daniel, apesar de sábio e de família nobre, já era humilde e quebrantado, e não precisou passar por sofrimentos para ter condições de servir a Deus diante do rei, interpretando revelações. Ele foi um dos poucos homens que escolheu espontaneamente este caminho. José e Daniel sabiam que a base para interpretação era conhecer a Deus (Gn 40.8/41.16; Dn 2.27-28). O orgulho nos torna independentes de Deus, e a humildade nos aproxima mais dele (Jo 5.19; Tg 4.6-8). Além de humilde, nosso coração precisa ser puro para vermos a Deus e conhecermos sua vontade (Mt 5.8).</p><p>&nbsp;</p><h3>Obstáculos que nos impedem de interpretar corretamente</h3><p><strong>1. Opiniões pessoais</strong></p><p>Em vez de buscarmos em Deus a interpretação, muitas vezes somos tentados a decifrar logicamente a visão, com nossos pensamentos e opinião a respeito do tema. Isto é uma forma de orgulho. Precisamos do que está na mente do Senhor, e não na nossa. Um tipo de opinião perigosa é quando ela está relacionada com uma doutrina predileta, que é um ensino que elevamos a uma posição mais alta que os demais, e analisamos as coisas através deste filtro.</p><p>Vamos tomar por base um exemplo típico em nosso meio: Deus nos revela que um casal está tendo conflito e crise conjugal. Aqueles que valorizam demasiadamente as doutrinas de autoridade e submissão vão dizer que a mulher precisa se submeter ao marido, que o marido precisa amar sua mulher etc. Por outro lado, os irmãos com forte chamado evangelístico já vão achar que os problemas são decorrentes da falta de conversão genuína. Um adorador já diz que o casal deve ter momentos para adorar a Deus juntos. Ainda há aqueles que perguntam se o casal sabe invocar a Jesus.</p><p><strong>2. Feridas e amarguras</strong></p><p>As feridas e falta de perdão funcionam como um muro que impede que vejamos o que Deus está dizendo. Toda revelação negativa sobre uma pessoa ou grupo que tenha nos ferido deve ser considerada suspeita. Problemas do passado com uma liderança também podem fazer com que alguns interpretem negativamente e de forma bem dura uma revelação sobre estas pessoas. Em vez de construirmos, encorajarmos e confortarmos, nossa revelação será destruidora e desencorajadora. José aprendeu a perdoar todas as injustiças sofridas e se tornou muito útil em interpretar revelações.</p><p>Atualizando o ditado popular, podemos dizer: “Quem canta seus males – espanta!” A pessoa amargurada só traz palavras negativas, afastando os que estão ao seu redor.</p><p><strong>3. Pecado e amarras espirituais</strong></p><p>O pecado, escravidão espiritual, fortalezas malignas (como a cobiça, rebeldia, amargura, religiosidade, arrogância, impaciência), tudo isso perverterá nosso entendimento, gerando falsas interpretações.</p><p><strong>4. Juízos carnais</strong></p><p>Estes também são opiniões, sendo que mais traiçoeiras, pois tentam passar por discernimento espiritual. Ocorrem quando julgamos pela aparência exterior. Até mesmo Samuel, um grande profeta do Antigo Testamento, tinha esta deficiência (1 Sm 10.24/16.6-7). Uma boa maneira de nos livrarmos deste problema é ministrarmos de olhos fechados ou não vermos a pessoa para a qual estamos ministrando. Nossa interpretação não pode estar baseada em se a pessoa usa terno e perfumes caros, tatuagens e alargador na orelha, jeans rasgado e sujo ou coisas parecidas. Uma ovelha pode estar suja hoje e ser poderosa nas mãos de Deus, bastando apenas um bom mergulho nas águas do Espírito. E há engravatado tão maldoso que não muda nem na base da paulada.</p><h3>O que é mais importante</h3><p>É necessário crescimento e amadurecimento para desenvolvermos a habilidade de interpretar. Isto não acontece da noite para o dia. É importante conhecermos os símbolos, e também crescer na essência do que é ser profético – a dependência de Deus. Não podemos crescer no ministério profético sem dependência do Senhor e intimidade com ele. Para ouvir a voz doce e suave do Espírito, devemos estar bem próximos a ele, já que ele não se encontra gritando pelas praças.</p><h3><strong>O treinamento através do sofrimento</strong></h3><p>O sofrimento tem um papel importantíssimo no nosso amadurecimento espiritual, com reflexos bastante positivos no ministério profético. Depois de passar pela tempestade, os discípulos de Jesus chegaram transformados à outra margem do mar da Galileia. E por que razão Deus nos treina através do sofrimento?</p><ol><li>Para remover o orgulho, o sentimento de elite espiritual, de soberba, de achar que é o centro do avivamento.</li><li>Para que reconheçamos nossa extrema necessidade de outros ministérios no corpo de Cristo. Devemos amar toda a igreja, e não apenas os que se parecem conosco e agem como nós.</li><li>Para obter maior sabedoria e entendimento no processo profético. Não podemos subestimar o potencial profético de trazer efeitos negativos e não apenas positivos. O ministério profético tem tendência à manipulação e controle do rebanho e orgulho espiritual.</li><li>Para mudar o conceito de uma igreja que abranja toda a cidade. Existe um ensino que diz que toda cidade deve ser governada por um presbitério único, em que a ênfase é colocada na estrutura, e não em relacionamentos de amor.</li><li>Para que haja prestação de contas. Existe a necessidade de todo ministério ter pessoas maduras e responsáveis às quais devemos prestar contas, tanto no contexto local, como fora dele. É necessário que nos submetamos a pessoas com autoridade de nos corrigir e disciplinar.</li><li>Para que compreendamos a necessidade de uma equipe ministerial equilibrada. As pessoas proféticas de alta tensão, com suas manifestações espirituais inusitadas, precisam do equilíbrio de pastores compassivos, teólogos dedicados e demais ministérios. A integração ministerial traz equilíbrio e estabilidade à igreja.</li><li>Para que tenhamos condições de enxergar nossas fraquezas encobertas e falhas escondidas. Deus aplica em nossas vidas várias formas de disciplina visando a nossa purificação. Podemos reagir a tudo isto de maneira correta, que é suportar sua disciplina redentora, sabendo que é para nosso bem, para que possamos participar de sua santidade (Hb 12.7,10), ou reagir de forma errada, como: desprezar a correção, negando nossa necessidade de ajuste, alegando que os problemas são ataques de Satanás; cair na paralisia da autocondenação e desespero; e ficar amargurado contra Deus.</li></ol><h3>Crenças erradas no ministério profético</h3><p>Existem alguns entendimentos referentes ao ministério profético que dificilmente são ensinados, mas que acompanham muitas pessoas, gerando muita confusão e aumentando a rejeição que muitos têm por este importante segmento da igreja. Escolhemos os três mais comuns:</p><p><strong>1) Caráter = Unção</strong></p><p>Muitas pessoas presumem que dons espirituais e unção são sinais de caráter transformado, concluindo também que o caráter é a base para recebermos os dons da parte de Deus. Outro erro é acreditar que as pessoas mais espirituais, maduras e santificadas são aquelas que têm os dons mais abundantes. Um fato importante com que devemos tomar bastante cuidado é que a maioria das pessoas proféticas não tem o dom de liderança essencial para a saúde, o equilíbrio e a segurança da igreja. Uma igreja guiada exclusivamente por profetas não oferece um ambiente seguro para o povo de Deus. O fato de haver poder e revelação fluindo através de determinados ministros proféticos não é necessariamente um sinal de que Deus está contente com as outras áreas de suas vidas.</p><p><strong>2) Unção significa endosso divino para o estilo ministerial</strong></p><p>Profetas tendem a pensar que o método ou estilo que usam são essenciais ao fluir da unção em suas vidas. Muitos benefícios trazidos à igreja pelo ministério profético são acompanhados de problemas relacionados ao estilo e metodologia heterodoxos que este ministério adota. Em muitos casos, precisamos ter coragem e dizer: “Você precisa parar com isto!” Temos uma forte tendência a sistematizar experiências espontâneas. Pensamos que se descobrirmos o método-chave, conseguiremos controlar as manifestações. Cremos que a unção vem ao cantarmos certa música, quando arrumamos as cadeiras de certa forma, quando se toca o saxofone, da mesma forma que o jogador de futebol acredita que seu time ganha quando está jogando com aquela meia velha e furada. As pessoas que chegam a este ponto sentem-se pressionadas a dizer que Deus está operando, mesmo quando não está. Este erro é terrível. Uma boa maneira é fazer como Elias e derramar água sobre nossos sacrifícios (1 Rs 18), dependendo exclusivamente de Deus, que manifestará seu poder sem a nossa ajuda.</p><p><strong>3) Unção significa 100% de exatidão doutrinária</strong></p><p>Na história da igreja sempre apareceram pessoas muito ungidas que adotaram doutrinas esquisitas. Um exemplo disto é William Branham, que acabou caindo em heresias. Ele acreditava que se Deus lhe dera tanta revelação profética, por que também não lhe revelaria a sã doutrina? Quando as curas, profecias e milagres passam a ser comuns, os profetas ficam insatisfeitos e querem se tornar mestres.</p><p>[Maiores esclarecimentos poderão ser obtidos diretamente com o autor, por meio do seguinte endereço: ezequielnetto@itelefonica.com.br].</p><p>Para ler outros textos deste autor, acesse: www.ezequielnetto.blogspot.com</p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/12/problemas-no-coracao-do-profeta.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Deus quer de nós uma nova maneira de pensar</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/12/deus-quer-de-nos-uma-nova-maneira-de-pensar.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/12/deus-quer-de-nos-uma-nova-maneira-de-pensar.html#comments</comments> <pubDate>Thu, 22 Dec 2011 00:35:24 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Base Cristã]]></category> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1969</guid> <description><![CDATA[A pregação do evangelho Uma das passagens mais intrigantes dos evangelhos é Marcos 16.15-20. Alguns teólogos, por não conseguirem explicá-la, alegam que não consta nos principais manuscritos da Bíblia (o que é uma grande mentira): “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<h3><span
class="Apple-style-span" style="font-size: 15px;">A pregação do evangelho</span></h3><p>Uma das passagens mais intrigantes dos evangelhos é Marcos 16.15-20. Alguns teólogos, por não conseguirem explicá-la, alegam que não consta nos principais manuscritos da Bíblia (o que é uma grande mentira):</p><p>“E disse-lhes: <strong>Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.</strong> Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, <strong>pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram</strong>.” (ênfases acrescentadas)</p><p>Este trecho fala que Deus confirma com sinais e maravilhas a pregação do evangelho. No modelo bíblico, a pregação e os milagres andam sempre juntos. É como se Deus dissesse ao ouvinte: “Pode acreditar em tudo o que meu servo está lhe dizendo em meu nome!”. E por que isto não acontece em nossos dias?</p><p>Em artigo anterior (“Quando o ensino é prejudicial” – edição nº 70), tomando como analogia o comportamento da águia, eu disse que o desejo de voar está impresso no DNA de todo ser humano. E a sede pelo sobrenatural também está no DNA de todo cristão – não podemos jamais sufocar este desejo. A vida vai muito além do que percebemos com os sentidos naturais. A falta de conexão com o Reino de Deus nos angustia. O homem possui um espírito justamente por este motivo – comunicar-se com o mundo espiritual.</p><p>Nada satisfaz mais o coração do cristão do que ver as assim chamadas “impossibilidades” dobrarem seus joelhos ao nome de Jesus. Qualquer coisa menor do que isso é anormal e insatisfatória. Para sermos cristãos eficazes, precisamos ir muito além da vida cristã que conhecemos. Precisamos redefinir o cristianismo “normal” para que este se alinhe com a ideia de Deus do que é normal, e não com a definição que aceitamos e com a qual nos acostumamos. Nossa teologia deve ser baseada na Palavra de Deus e não em nossas experiências (ou na falta delas). Talvez pelo fato de a fé católica estar baseada nos milagres dos santos, os evangélicos precisaram criar uma teologia que sufocasse esta crença, alegando que os milagres não são mais necessários em nossos dias. Afinal, já temos a Bíblia!</p><p>Como médico veterinário, consigo perceber a alegria de viver que tem todo vira-lata de rua. Mas quando capturado, este mesmo cão fica com um olhar envergonhado e de humilhação no canil da prefeitura. Conosco acontece exatamente o mesmo – nascemos para a liberdade e não para viver nos canis das religiões, esperando que alguém nos adote e domestique. Para a liberdade fomos chamados, e não para viver dentro das quatro paredes da religião. Podemos até nos moldar ao simbolismo e aos discursos infindáveis e sem vida, mas não foi isto que Deus preparou para seus filhos.</p><p>Certo vendedor ambulante de aspirador de pó apresentava seu produto da seguinte forma: “Este aspirador é muito poderoso. Quando usá-lo, devemos ter o cuidado de tirar do ambiente todas as crianças e animais domésticos, pois ele suga tudo o que vê pela frente!” A dona de casa ficou interessada e pediu uma demonstração. O comerciante, sem nenhum constrangimento, alegou que não poderia demonstrar o poder do aparelho. Ela deveria simplesmente acreditar nele, comprar o aspirador e ler as instruções no manual para fazê-lo funcionar. Este é ou não é o evangelho que pregamos? Falamos do poder de Deus, mas não temos condições de demonstrá-lo.</p><h3>A vontade de Deus</h3><p>Tenho quase certeza de que quando Jesus ensinava aos discípulos sobre como orar (Mt 6.9-10), quando disse “venha teu reino, seja feita tua vontade…”, Pedro o interrompeu com a pergunta: “Mestre, mas como achar a vontade de Deus?” Todo cristão acredita fazer a vontade de Deus, mas esta não é uma pergunta fácil de responder.</p><p>Jesus, com sua simplicidade característica, respondeu: “Assim na terra como nos céus”. Ou seja, saber qual é a vontade de Deus é muito simples. Tudo o que faz parte dos céus deve fazer parte da terra; o que não é permitido nos céus também não deve ser permitido na terra. O que Deus mais deseja é que a realidade dos céus invada este mundo destruído pela rebeldia, transformando-o, trazendo-o sob sua autoridade. Isto é ao mesmo tempo básico e revigorante.</p><p>Tudo o que tem liberdade de ação nos céus (alegria, paz, saúde, sabedoria e todas as boas promessas que lemos na Bíblia) deveria ser livre para operar aqui neste planeta, em nossas casas, na igreja, em nossos negócios, nas escolas. O que não tem liberdade de ação lá (pecado, tristeza, doenças, enfermidades, escravidão espiritual) não deveria estar livre para agir aqui.</p><p>Trazer a vontade de Deus para esta Terra e destruir as obras do diabo (1 Jo 3.8) é a missão de cada crente. Isso não é teologia – é um modo fantástico de viver. Quando esta é a nossa realidade, as coisas que nos incomodam parecem que se acertam por si mesmas: vidas são libertas, corpos são fortalecidos e curados, a escuridão se afasta da mente das pessoas, o domínio do inimigo é quebrado, os negócios tornam-se saudáveis, os relacionamentos são restaurados, as igrejas crescem e as cidades sentem os efeitos de terem o Reino de Deus florescendo nelas. Este não é um tipo de vida inventado; é o tipo de vida para o qual fomos feitos.</p><p>Uma das passagens mais conhecidas das Escrituras é quando Jesus dormia no barco, em plena tempestade. Os discípulos estavam desesperados e acordaram Jesus, perguntando se ele não se importava com a tormenta. Jesus os repreendeu e acalmou a tempestade. Aprendemos com esta história que, mesmo passando por tempestades na vida, na hora H, Jesus acalma a tempestade. Não devemos nos desesperar, pois no momento certo Jesus assume o comando e muda o quadro. Contudo, não foi este ensinamento que Jesus quis dar ao repreender os discípulos. Para Jesus os discípulos tinham poder suficiente para repreender a tormenta. Ele só agiu porque eles não estavam fazendo nada. Hoje também acontece isso conosco – deixamos uma situação chegar ao limite máximo sem a menor necessidade, aguardando o agir de Deus quando já não suportamos mais.</p><p>Certo dia, percebi uma opressão muito forte, como uma nuvem negra do diabo para atacar alguns jovens da igreja. Junto com a Val, minha esposa, oramos e fomos dormir. Quando já eram 2 da manhã, acordei com a sensação de que estávamos orando de forma errada, acuados pelo diabo. Segundo Mateus 16.18, a igreja é quem ataca, e o inferno quem tenta se defender. Hoje tentamos nos proteger a qualquer custo dos ataques do maligno. Oramos do jeito certo, e toda maldade foi desfeita em nome de Jesus. Um pouco mais de ousadia só nos fará bem.</p><h3>A renovação de nossas mentes</h3><p>A pregação do evangelho deve sempre ser associada à manifestação do poder de Deus. Os milagres e a vida sobrenatural oferecem uma prova imediata e irrefutável do que Deus deseja que aconteça na Terra.</p><p>As pessoas entendem melhor sobre Deus quando mostramos a sua realidade. Não devemos crer nas coisas certas acerca de Deus, mas ser pessoas que colocam a vontade de Deus à vista, expressando-a e fazendo com que os demais compreendam quem de fato Deus é – curas, libertação e restauração fazem muito mais do que resolver um problema imediato; elas dão às pessoas uma demonstração concreta de quem Deus é. Quem contestará diante de uma manifestação sobrenatural?</p><p>“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, <strong>para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus</strong>” (Rm 12.2 – ênfase acrescentada).</p><p>Quando fazemos a vontade de Deus, trazemos a realidade do Reino para destruir os trabalhos do diabo. Iniciamos um conflito entre a realidade terrena e a celestial e nos tornamos a ponte e o ponto de conexão que possibilitam, através da oração e da obediência radical, declararmos o domínio de Deus.</p><p>Não estamos cansados de ouvir falar de um evangelho de poder mas nunca vê-lo em ação? Não estamos cansados de tentar a Grande   Comissão sem oferecermos provas de que o Reino funciona? Dizemos às pessoas quão fantástico nosso produto é, mas raramente o demonstramos ou o provamos. Representamos um rei que cura todas as doenças, livra a pessoa dos tormentos e das dificuldades da vida. No entanto, não temos como provar isso. A pessoa apenas vai ter que acreditar.</p><p>Estava num encontro com mais de 150 cristãos buscando conhecer a Deus e sua vontade. Uma pessoa passou mal e foi levada imediatamente ao posto de saúde para ser medicada. No dia seguinte, outra pessoa também passou mal, sendo que agradecemos a Jesus por levar todas as nossas enfermidades sobre si. Repreendemos a dor de cabeça, e a saúde da irmã foi restabelecida na mesma hora. A que grupo você pertence? Muitos alegam que não têm o dom de operar milagres nem o de curar uma simples tontura, quanto mais um câncer ou AIDS. Então eu pergunto: alguma vez você já orou e repreendeu a AIDS em alguma pessoa? Se nunca fez isso, como pode saber se tem esta capacidade ou não? Para mim curar alguém é a coisa mais fácil do mundo. Isso porque não sou eu nem você quem cura – é Deus! Se dependesse de mim, até para espirro seria dificílimo, mas para Deus tudo é possível.</p><p>O único jeito de fazer a vontade de Deus é renovando nossas mentes, pensando de modo diferente. Temos que ver as coisas pela perspectiva de Deus. Já disseram muitas vezes que a batalha está na mente, e é a mais pura verdade. Deus fez nossa mente para ser a guardiã do sobrenatural. Uma mente renovada reflete a realidade do outro mundo da mesma forma que Jesus resplandeceu com o brilho do céu. A renovação da mente não muda apenas nossos pensamentos, mas também sua origem, que passa a ser uma realidade diferente – dos céus em direção à terra! É por esse motivo que o diabo ataca a nossa mente, tentando inutilizá-la.</p><p>O aspecto intelectual da mente é muito importante, mas foi tão exacerbado que eliminou o verdadeiro estilo de vida de fé. A fé sincera é bombardeada por um modo de pensar de dúvidas e ceticismo. A teologia e a avaliação acadêmica substituíram a experiência sobrenatural por uma fé religiosa. A Bíblia menciona que a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus. Naquela época o povo ouvia a palavra do mesmo jeito que se ouve hoje? Claro que não. O mesmo apóstolo Paulo que disse isso em Romanos disse também aos Coríntios que sua pregação do evangelho consistia na manifestação do poder de Deus. A pregação acadêmica, baseada na hermenêutica e homilética, não produz fé alguma. Muitas vezes, durante um sermão, eu me pergunto: onde este irmão quer chegar com este discurso vazio? Deus, tenha misericórdia de nós!</p><p>A mente é de fundamental importância para nosso caminhar com Cristo, e por isso Paulo nos admoesta a “sermos transformados pela renovação de nossas mentes”. A mente não renovada tem pouco uso para Deus. Como uma nota discordante do piano, não deve ser tocada para não depreciar a música.</p><p>Pessoas que não estão em sintonia com a mente de Cristo raramente são usadas, não importando o quão disponíveis estejam. São autonomeadas em sua missão e estão trabalhando totalmente fora da comissão planejada por Deus. Não é pela inteligência, mas pela sintonia que temos com a mente de Cristo.</p><p>Deus destinou nossa mente para ser uma das mais poderosas e sobrenaturais ferramentas do universo, mas ela precisa ser santificada e entregue ao Espírito Santo para que possamos realizar seus desígnios, suas ideias criativas e planos em nossa vida diária.</p><h3>Mas como renovar nossa mente?</h3><p>“Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4.17).</p><p>A renovação da mente tem início com o arrependimento. Arrepender-se significa deixar nosso ponto de vista e voltar-se para a perspectiva que Deus tem da realidade. Nesta perspectiva existe um renovo, uma reforma que afeta nosso intelecto, nossas emoções e todas as partes de nossas vidas. Sem arrependimento, permanecemos em nossa maneira carnal de pensar.</p><p>A maioria dos cristãos não tem nenhuma atração pelo pecado. Mas pelo fato de viverem sem a manifestação do poder do evangelho, andar apenas pela ótica natural, perdem o sentido de propósito e voltam-se para o pecado. Muitas pessoas cometem o erro e dizem não saber por que fizeram isso – mas é verdade, não nascemos para viver no pecado. Isto não nos faz bem.</p><p>Ter uma mente renovada não se trata de ir ou não para o céu na eternidade, mas de quanto do céu desejamos para nossa vida neste momento. Nossa alma almeja por ver estas coisas. Temos dentro de nós um desejo inesgotável de ver o Reino irromper para dentro desta esfera – não apenas olhar, mas participar, nos tornar o ponto de conexão, o caminho para a manifestação do poder de Deus. Aleluia! Pois é<em> a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento</em> (Rm 2.4).</p><p>Jesus, por si mesmo, não tinha habilidade nenhuma para curar enfermos, expulsar demônios ou ressuscitar os mortos (Jo 5.19). Não fez milagres porque era Deus, pois havia colocado sua divindade de lado. Fez milagres como homem em correto relacionamento com Deus porque estava demonstrando um modelo para nós, um caminho a ser seguido. Esta é a natureza do nosso chamamento – requer muito mais do que somos capazes de fazer. Quando fazemos apenas aquilo de que somos capazes, não estamos envolvidos no chamado.</p><p>Jesus vivia em constante conflito interior, pois a lógica do Reino de Deus vai contra a lógica da carne. E esta é uma boa oportunidade para nos perguntar: também estamos vivendo em conflito com este mundo? Trazemos a realidade ou a doutrina dos céus para nossos vizinhos e amigos, ou apenas um discurso vazio? Está na hora de entrarmos na dimensão da mente renovada, para experimentarmos a completa expressão da vontade de Deus na terra.</p><p>Uma mente renovada faz com que o Reino de Deus seja manifestado “assim na terra como nos céus”. Esta é a vida cristã normal.</p><p><em>Este artigo foi quase 100% retirado do livro “O poder sobrenatural de uma mente transformada”, de Bill Johnson. Recomendo também:“Quando o céu invade a Terra” e “Face a face com Deus”, do mesmo autor.</em></p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/12/deus-quer-de-nos-uma-nova-maneira-de-pensar.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>2</slash:comments> </item> <item><title>Relacionamentos afetados pelo divórcio</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/12/relacionamentos-afetados-pelo-divorcio.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/12/relacionamentos-afetados-pelo-divorcio.html#comments</comments> <pubDate>Thu, 15 Dec 2011 02:00:20 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Família]]></category> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <category><![CDATA[O divórcio, suas vítimas e o Reino de Deus]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1972</guid> <description><![CDATA[Este artigo é o terceiro de uma série que discutirá alguns aspectos complexos do divórcio, uma prática antiga que afeta atualmente a maioria das famílias.  No artigo anterior, refletimos sobre os diferentes tipos de casamento, denominando-os relacionamento conjugal ou conjugalidade. Embora exista um modelo original de casamento, de acordo com o qual vivem muitos casais [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p><em>Este artigo é o terceiro de uma série que discutirá alguns aspectos complexos do divórcio, uma prática antiga que afeta atualmente a maioria das famílias. </em></p><p>No artigo anterior, refletimos sobre os diferentes tipos de casamento, denominando-os relacionamento conjugal ou conjugalidade. Embora exista um modelo original de casamento, de acordo com o qual vivem muitos casais que conhecemos, frisamos que um relacionamento íntimo regular é, em si, uma forma de casamento, mesmo a despeito de não se achar documentado. Ter vida conjugal é uma condição e não um título, ainda que muitos procurem banalizar tal condição.</p><h3><strong>Todo casal precisa ser amado e respeitado </strong></h3><p>No bojo dessa realidade, estamos defendendo a importância de todos os casais serem tratados com amor <em>ágape</em>, o único poder capaz de reconduzir a natureza humana à sua origem. Nessa direção, apresentaremos a partir daqui alguns resumos de casos reais para exemplificar a condição do atual trabalho de aconselhamento e/ou terapia conjugal/familiar citado no segundo artigo. Entre eles também estarão histórias oriundas de publicações especializadas ou compartilhadas em grupos de supervisão profissional. Obviamente foi alterado todo tipo de informação que pudesse identificar fontes, lugares ou pessoas envolvidas.</p><p>O primeiro é sobre dois jovens que se conheceram cursando faculdade em outro Estado. Eles se apaixonaram e, sem consultarem os pais ou buscarem a aprovação deles, foram morar juntos, ou seja, como marido e mulher. Depois de três anos de convivência íntima, tempo que costuma fazer a paixão dar lugar a outras experiências, a jovem procurou ajuda para tentar salvar o relacionamento, pois o companheiro se tornara insensível com ela. Eles não documentaram a união, pois ainda se consideravam namorados e não tinham filhos. Porém, segundo ela, as marcas que cada um colocou na alma do outro dificilmente seriam tiradas, sendo esse o principal motivo de quererem vencer aquela crise. Apesar das dificuldades, o casal reconhecia os valores mútuos e os eventuais benefícios de manterem aquela união.</p><p>O segundo caso é o de uma senhora viúva com dois filhos adolescentes, que conheceu um senhor oficialmente divorciado, enquanto ambos gozavam férias. No início da vida conjugal, embora também se considerassem namorados, como os jovens citados acima, geraram um garoto. Depois de quase cinco anos, separaram-se, e ela “namorou” um outro homem, com quem também teve mais um garoto. Ao decidirem morar juntos, os conflitos se intensificaram, envolvendo tanto a nova conjugalidade e o filho menor quanto o primeiro garoto e seu pai. Em meio a tudo isso, o casal foi buscar motivos para tentar manter essa última família.</p><p>Esses dois diferentes casos apresentam entre seus aspectos em comum a iminência de rompimento de laços afetivos que são próprios de um casamento oficializado, ainda que os casais insistam em se considerar apenas “namorados”. Para ajudar casais como esses a vencerem seus conflitos, um dos desafios seria primeiramente “convencê-los” da necessidade de pararem de buscar soluções para suas carências emocionais por meio de novas experiências conjugais. Um segundo ponto, o de fortalecerem seus atuais casamentos, mesmo que não sejam documentados. Eles precisarão aprender a construir um relacionamento emocional e espiritualmente saudável, entendendo que esse será, embora difícil, um melhor caminho.</p><p>No trabalho com casais como esses, também poderá surgir a dificuldade de os auxiliadores “disputá-los” com algum líder religioso que esteja querendo levá-los para sua igreja, às vezes com a promessa de solução dos problemas a partir de um “casamento de verdade”, proposição que ousará justificar ainda que tenha que lançar mão do artifício de descontextualizar trechos bíblicos. Mas a verdade é que, ocorrendo a separação, não há como livrar as famílias das consequências das perdas que terão em relação àquilo que a conjugalidade vivida construiu, principalmente quando existem filhos na história.</p><p>Com esses casos, esperamos ter ficado ainda mais claro para o leitor o que é a condição de estar casado, não importando o fato de o relacionamento em questão ter o nome de “ficar”, “namorar”, ser “companheiro(a)”, “namorido” etc. Daí a importância de os casais serem ajudados a encontrarem meios de manter e melhorar esses relacionamentos.</p><h3><strong>Deus sempre tem um plano melhor que o do ser humano </strong></h3><p>Gostaríamos muito que a realidade fosse diferente, que todos se preparassem bem para o casamento e desfrutassem de tudo o que o Pai celestial planejou para ele (Mt 19.8). E essa possibilidade existe no contexto do Reino de Deus na Terra como foi proposto por Jesus Cristo. Ainda que pareça paradoxal, é exatamente por isso que precisamos acolher quem procura auxílio por estar sofrendo com a iminência ou o rompimento de sua conjugalidade. Essas pessoas não precisam de novas orientações religiosas, mas de saberem que são amadas incondicionalmente, aprendendo na prática esse amor para que possam transmiti-lo a seus cônjuges, companheiros e/ou filhos.</p><p>Dentro do Reino de Deus na Terra, o casamento tem uma função importantíssima, por isso o fato de as Escrituras tão acertadamente proporem: “<em>Deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher</em>&#8230;” (Mt 19.5). No que depender do Pai Amoroso, o novo lar se tornará um tipo de Jardim do Éden, algo que é bem diferente do complicado romantismo humanista veiculado pela mídia globalizada. Esse modelo original de casamento que prima pela beleza da singularidade e unidade do casal possibilita o crescimento pessoal em todas as áreas. Ele ocorre inicialmente com o importante processo de independência dos cônjuges em relação a seus pais e vai aumentando potencialmente através das experiências diárias e ascendentes geradas pelas conjugalidades espiritual, afetiva e física, e exatamente nessa ordem.</p><p>Há orientações claras na Bíblia para quem quer participar disso, e existem muitas famílias desfrutando dessa realidade, as quais têm sido “pontes”. Através delas, jovens casais, inclusive aqueles vindos de lares desfeitos, encontram apoio para construírem relacionamentos “até que a morte os separe”. O foco nesse tipo de união não é satisfazer-se a despeito do outro, mas viverem juntos a vontade do Pai Amoroso para a conjugalidade, pois ela, sim, é “<em>boa, agradável e perfeita</em>” (Rm 12.2).</p><h3>As difíceis circunstâncias geradas pelo divórcio</h3><p>Retomando a experiência da Drª. Wallerstein, afinal <em>como ficam os relacionamentos entre os ex-cônjuges e parentes depois do divórcio? </em>Embora o leitor já deva ter percebido a resposta colocada em linhas gerais desde o primeiro artigo, ou seja, as separações dão início a muitas confusões, vamos refletir mais sobre isso através de algumas citações do livro. Inicialmente destacaremos a relação que a autora faz entre as experiências da paixão e do fim do casamento: “<em>Quando estamos apaixonados, idealizamos o objeto de nosso amor; entretanto, na hora da separação, deixamos de idealizá-lo e, às vezes, até o desumanizamos. O divórcio é, na verdade, o oposto da paixão, conduzindo de forma inevitável à raiva e, por vezes, à fúria intensa – fúria essa que as pessoas pensam ser plenamente justificada</em>”(p.33).</p><p>Ainda que o leitor tenha se apaixonado apenas uma vez na vida, é fácil pensar na triste experiência do que seria um relacionamento oposto a isso. Se na paixão as atitudes visam à manutenção do prazer físico acima de tudo, no rompimento conjugal o contrário de apaixonar-se seria tentar perpetuar o máximo possível algum tipo de sofrimento, ou muitos deles, para o ex-“namorado” ou (ex)cônjuge. Observamos aqui que a grafia <em>(ex)cônjuge</em> é a forma de destacar o nosso entendimento e experiência de que a conjugalidade só é finalizada de fato com a morte, ou seja, nessa vida o casal estará sempre ligado de alguma forma. A Drª. Wallerstein vivenciou isso junto às famílias que acompanhou. Oportunamente falaremos mais a respeito desse assunto.</p><p>Quando ocorre o divórcio, a parte que foi traída e/ou abandonada dificilmente conseguirá conter o “justificável” desejo de vingança e, infelizmente, agirá de modo a afastar cada vez mais o (ex)cônjuge ou as pessoas mais próximas a ele, realimentando o círculo vicioso da inimizade. Como exemplos, uma cunhada que era amiga e confidente pode se tornar a pior inimiga, a suposta causadora das intrigas e da separação do casal. A sogra, que era como se fosse uma segunda mãe, torna-se a protetora megera do marido imaturo, principalmente ao recebê-lo de volta em casa como “solteiro”. Segundo a pesquisadora, na maioria dos casos esse processo não é rápido, pois “<em>Os sentimentos, especialmente os de raiva e os de mágoa e humilhação, podem permanecer vivos por muitos anos após o divórcio</em>” (p.398).</p><p>Claro que há as poucas exceções das “separações amigáveis” (amigos não costumam separar-se). Mas, na experiência dela, que é parecida com a nossa, superar os traumas inerentes ao fim da conjugalidade é uma tarefa complicada demais para a maioria das pessoas enfrentarem sozinhas. Daí surgirem as muitas e diferentes patologias relacionais.</p><p>No contexto das “exceções”, esse quadro de sofrimento parece ser mentira quando ouvimos discursos animados de casais que estariam mais felizes após o divórcio. Sendo figuras públicas, autoridades civis ou religiosas, artistas, atletas etc., tem-se a impressão de que eles ficaram mais felizes ainda. É como se possuíssem um suposto segredo de como ter uma separação conjugal perfeita. Inclusive, já há vídeos na internet a respeito. Mas os poucos que conhecem os “bastidores” de suas vidas têm a oportunidade de acompanhar toda a verdade e verificar os inevitáveis estragos nos relacionamentos desfeitos em consequência da desistência de buscar a superação das crises. Para que não fique dúvida sobre essa realidade, descreveremos mais um caso.</p><p>Movido por “amor à primeira vista”, um jovem casal passou a desfrutar da conjugalidade e gerou um belo e saudável menino. Poucos anos depois, terminada a paixão e o “namoro”, eles iniciaram uma guerra emocional que foi consumindo lentamente os relacionamentos da família, parentes e amigos. E isso mesmo no contexto de uma longa terapia familiar, que inicialmente visava ajudar o filho envolvido em muitos e complicados problemas por todas as boas escolas por onde passou. Para piorar os sofrimentos de todos e dificultar o trabalho terapêutico, o uso de drogas iniciado pelo garoto funcionou como mais um ingrediente intensificador das complexas brigas entre os (ex)cônjuges. Estranhamente, com o trágico suicídio do filho por overdose, o casal parou com os litígios, indo cada um viver sua vida. Ele era um advogado bem-sucedido, e ela, uma apresentadora de uma grande rede de televisão. Aliás, ela nunca deixou de manter sua simpatia diante do público durante os anos das crises familiares. Essa triste história ilustra o que sempre foi e sempre será a realidade da maioria das separações conjugais, uma fonte de diversas categorias de sofrimentos, seja para um ou mais dos envolvidos.</p><p>Nas próximas reflexões, apresentaremos outros casos envolvendo separações, objetivando continuar reforçando a tese da Drª. Wallerstein de que o divórcio é um fenômeno traumático demais para ser minimizado ou banalizado. Vejamos mais uma citação nessa direção: “<em>As causas do divórcio não mudaram, bem como os sentimentos de homens e mulheres. O sofrimento não diminuiu. As pessoas gostam de pensar que, pelo fato de existirem tantas famílias divorciadas, adultos e crianças achariam o divórcio mais fácil ou até mesmo simples. Mas nem os pais nem os filhos encontram consolo nos números. O divórcio não é uma experiência mais ‘normal’ simplesmente porque muitas pessoas foram afetadas por ele</em>” (p.399).</p><p>Importante lembrar que ela acompanhou sessenta famílias durante mais de vinte anos, visando estudar cientificamente o divórcio para confirmar se as consequências negativas dele duravam mesmo até dois anos. A Drª. Wallerstein sentiu de perto o quanto um casal pode ferir-se mutuamente, ferir os filhos e outras pessoas próximas após o rompimento da promessa de amor e fidelidade até a morte. Ela testemunhou o quanto grandes parceiros podem se tornar os piores inimigos.</p><p>Retornaremos ao tema “<em>como ficam os relacionamentos do casal após o divórcio</em>” em outros contextos desta série de artigos. No momento queremos enfatizar para o leitor a urgente necessidade de ajudar casais que lhe sejam próximos a vencerem suas crises sem que venham a passar pelo divórcio. Se for o leitor quem precise desta ajuda, deve buscá-la imediatamente, de preferência através de pessoas que não trabalham sozinhas, sejam elas profissionais, líderes religiosos, amigos etc.</p><p>Mesmo sendo o ideal as ações preventivas contra o divórcio, também é importantíssimo o acompanhamento amoroso incondicional dispensado àqueles que mais estão sofrendo devido às crises ou separações conjugais em andamento. O principal cuidado que deve ter os que querem ajudar é buscar a graça de agir como Jesus Cristo, portanto de forma dependente dEle e nunca isoladamente. Esse é o único meio de ficar livre da hipocrisia e/ou do farisaísmo e lembrar que não somos melhores que ninguém.</p><p>No próximo artigo começaremos a refletir um pouco mais sobre os sofrimentos dos “filhos do divórcio”.</p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/12/relacionamentos-afetados-pelo-divorcio.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>A lei, a igreja e as janelas dos trens</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/12/a-lei-a-igreja-e-as-janelas-dos-trens.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/12/a-lei-a-igreja-e-as-janelas-dos-trens.html#comments</comments> <pubDate>Sun, 04 Dec 2011 22:11:22 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Igreja]]></category> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1967</guid> <description><![CDATA[Fazer o percurso de trem entre as estações de Barueri e Barra Funda não é uma experiência agradável, mas fica ainda pior quando a viagem é realizada numa tarde ensolarada de verão. Para mim parece impossível não injuriar o engenheiro que colocou no vagão janelas tão pequenas, incapazes de prover aos cansados trabalhadores e estudantes [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Fazer o percurso de trem entre as estações de Barueri e Barra Funda não é uma experiência agradável, mas fica ainda pior quando a viagem é realizada numa tarde ensolarada de verão. Para mim parece impossível não injuriar o engenheiro que colocou no vagão janelas tão pequenas, incapazes de prover aos cansados trabalhadores e estudantes o mínimo de oxigênio necessário para a manutenção da vida.</p><p>Imagino que este engenheiro tenha previsto algumas coisas importantes e não previsto outras. Não era muito possível imaginar, quando da elaboração do projeto, que os vagões iriam comportar 5 ou 6 pessoas por metro quadrado, chegando a 8 no horário de pico. Por outro lado, previu-se que pessoas desesperançadas ou descuidadas correriam risco de morte se conseguissem passar pelas janelas com facilidade. Podemos citar como exemplo os inúmeros casos de surfistas de trem que infernizaram a vida da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na década de 90. Muitos deles morreram ao sair do confortável vagão para se aventurarem a viajar ao ar livre. Nesse quesito, o engenheiro não se equivocou: fez uma janela tão pequena que dificilmente passa por ela uma pessoa adulta, ainda mais se, como a maioria da população, esta pessoa estiver com sobrepeso.</p><p>Todavia, nem todo engenheiro tem a mesma preocupação com segurança, muito menos se ela compromete o conforto. As janelas do metrô argentino, pelo menos as dos trens da linha A, por exemplo, são tão amplas que três pessoas podem passar juntas por elas sem grandes dificuldades. Se existem pessoas que se jogam nos trilhos pela janela ou se há por lá o mesmo tipo de surfista que há por aqui, eu não sei, mas que lá pelo menos não existe problema com a ventilação dos vagões, isso é um fato.</p><p>O que pretendo com essa conversa? Sejamos pacientes que em breve entenderemos.</p><h3>Os frutos da democracia</h3><p>Existem diversas mudanças legislativas e judiciárias que têm causado furor no meio cristão nos últimos tempos. O reconhecimento da união estável entre homossexuais pelo judiciário (abrindo caminho para o casamento do mesmo tipo) e as discussões sobre a legalização do aborto e das drogas são itens que encabeçam a lista dos assuntos polêmicos. A celeuma é tão grande que assisti na semana passada a um pastor pregando em um culto com a Constituição Federal na mão, e não com a bíblia, como é comum. Essa parte da igreja, tão preocupada com tais mudanças, se equivoca em um ponto importante de que trataremos a seguir.</p><p>O Brasil, como a maioria dos países ocidentais, é um Estado sob o regime democrático, ou seja, a maioria decide o destino da nação. Essa decisão raramente é feita diretamente, como é o caso de um plebiscito (decreto dos plebeus, em latim), mas por meio do voto em representantes que ocuparão as cadeiras das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional. A maioria de nós não gosta desses representantes, que chamamos de políticos, mas eles são um mal necessário nesse regime de governo. Ao serem eleitos, esses políticos precisam defender os interesses da parcela da sociedade que os elegeu para que a democracia seja realmente prática.</p><p>Ocorre que, sem que a sociedade perceba diretamente, existem pessoas vinculadas a organizações (empresariais, sociais, religiosas etc.) cujo trabalho é estarem próximas desses representantes para exercerem pressão sobre eles e assim verem causas do seu interesse particular sendo defendidas e aprovadas pelo Poder Legislativo. Essas pessoas são chamadas de lobistas, muitos dos quais, neste exato momento, podemos apostar, estão em Brasília, defendendo suas causas, como é o caso dos representantes dos homossexuais, indústria do cigarro, bebida, madeireira, entre outros. É uma forma de burlar o sistema democrático, já que nem todo cidadão, após a votação, pode se dedicar a fiscalizar em que seu representante pensa e vota.</p><p>Mesmo sabendo da existência dos lobistas, precisamos acreditar que a democracia sempre vai espelhar o que a maioria quer, e o modo de se externar isso é por meio da produção de leis. Se a maioria da sociedade quer (ou pelo menos não se opõe) ao casamento gay, por exemplo, ele certamente será uma realidade futura, assim como, em sua época, a Lei do Divórcio foi aprovada.</p><p>O equívoco da igreja nessa questão está no fato de que combater um sistema político, qualquer que seja ele, não é uma tarefa sua, não devendo encabeçar sua lista de prioridades. Existem coisas muitíssimo mais importantes e emergenciais que certamente afetarão essas questões que expusemos acima, conforme veremos a seguir.</p><h3>O Reino de Deus entre os homens</h3><p>É maravilhoso pensar na presença de Jesus aqui na Terra. João, em uma linguagem cheia de poesia, escreveu que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Ele se apresentou como a Luz “que ilumina a todo o homem que vem ao mundo” (Jo 1.9), não foi compreendido ou aceito pelos seus (Jo 1.10-11), mas a aqueles que O receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus (Jo 1.12).</p><p>Se tivesse que resumir a principal prioridade de Jesus enquanto esteve em carne, diria que Ele veio iluminar homens que outrora viviam nas trevas para habilitá-los a serem integrantes do Reino de Deus no mundo. Todavia, esse não é o tema que estamos tratando no momento.</p><p>Podemos apontar coisas que Jesus fez, assim como apontar coisas que Jesus não fez, e entre elas se destaca o fato de que Jesus não combateu o sistema político romano. Nas poucas vezes em que se referiu às autoridades da época, deixou transparecer certo desprezo por essa condição, como quando chamou Herodes de “raposa” (Lc 13.32) e deixou claro que Pilatos só exercia a autoridade dada a ele porque Deus assim o concedera (Jo 19.11). Faltavam motivos para um ataque direto ao sistema? Certamente que não. Na Roma antiga havia dominação de uns sobre os outros (a judeia estava submetida ao Império Romano, assim como a maior parte daquela região), havia pena de morte, corrupção (especialmente na cobrança de impostos), homossexualismo, sistema “judiciário” inquisitório (no qual quem acusa é o mesmo que julga a causa), miséria, entre outros males. Jesus, porém, sabia que no reino dos homens tais coisas sempre existiriam, mas no Reino de Deus não, e é nesse Reino que Jesus investiu.</p><p>Se entendermos que o Reino de Deus é onde a vontade de Deus é cumprida, saberemos que coisas contrárias a essa vontade têm seus dias contados, seja nessa era, dentro da coletividade que ama a Deus (pode chamar de igreja), seja no Reino Milenar, abrangendo todo o mundo.</p><p>Por outro lado, não há muita esperança de que a sociedade moderna tenha uma melhoria em sua condição ética e moral, pelo contrário. Esperamos cada vez mais degradação, pecado e morte, já que a única solução definitiva para o mundo é a volta de Cristo. Todavia, na igreja as coisas precisam ser diferentes, uma vez que sobre os homens que a compõem está o Reino de Deus.</p><h3>Você pularia da janela do trem?</h3><p>Se os trens tivessem janelas maiores, isso seria um convite a você para um mergulho rumo à morte? Certamente que não. Esse é um convite que somente pessoas desesperançadas podem receber. Então, o tamanho das janelas dos trens é irrelevante desse ponto de vista. Se forem muito grandes e perigosas essas janelas, provavelmente você segurará suas crianças pelas mãos e dirá: “Filho, não chegue muito perto! Há perigo de você cair”.</p><p>Ora, a permissão para a celebração de casamentos gays é um convite para você se tornar homossexual? Ou, ainda, a legalização das drogas é um convite para você se tornar um viciado? Em absoluto! Esses são convites para pessoas desesperançadas, não para você.</p><p>O que quero dizer é que, se a igreja é a antecipação do Reino de Deus nessa era, e se tanto a igreja quanto o Reino de Deus são compostos por homens e mulheres alcançados pelo Evangelho, então não importa o que a sociedade e seus sistemas digam ou façam, entre nós imperará a maravilhosa vontade de Deus e nenhuma outra. Temos que nos preocupar não com processos legislativos, mas com o grau com que a igreja transparece o Reino.</p><p>Uma história que ajuda a ilustrar o que digo foi escrita por Phillip Yancey em seu livro <em>Para que serve Deus?</em>. O autor conta que a Ucrânia, após o colapso da Ex-União Soviética, caminhava a passos lentos no processo de democratização, sendo ainda comandada por um governo autoritário que remontava ao comunismo. Durante a Revolução Laranja, o reformador Victor Yushchenko decidiu concorrer às eleições presidenciais, mesmo correndo risco de morte. Yushchenko, no dia do pleito, chegou a abrir dez pontos percentuais de vantagem sobre o candidato do governo, que fatalmente seria derrotado. Ocorreu que o governo conseguiu reverter a iminente derrota fraudando o resultado da votação. O canal de TV estatal deu a seguinte notícia: “Senhoras e senhores, informamos que o candidato da oposição Victor Yushchenko foi inquestionavelmente derrotado.” Nas palavras do autor, “as autoridades governamentais não haviam levado em conta uma característica da televisão ucraniana: a tradução que ela oferece para deficientes auditivos. Na telinha que aparece no canto direito inferior da tela grande, uma corajosa mulher, filha de pais surdos-mudos, transmitiu uma mensagem divergente na língua de sinais. ‘Eu estou me dirigindo a todos os cidadãos surdos da Ucrânia. Não acreditem no que eles (as autoridades) dizem. Estão mentindo, e eu estou envergonhada em traduzir essas mentiras. Yushchenko é nosso presidente!’. Cidadãos surdos, inspirados por sua tradutora Natalya Dmitruk, fizeram a Revolução Laranja. Usando seus celulares, eles enviaram torpedos a seus amigos sobre a fraude eleitoral, e logo outros jornalistas, inspirados pelo gesto desafiador de Dmitruk, criaram coragem e, semelhantemente a ela, se recusaram a transmitir a posição do governo. Dentro de algumas semanas, cerca de um milhão de pessoas vestidas na cor laranja inundaram a capital Kiev, exigindo novas eleições. O governo finalmente cedeu à pressão, aceitando novas eleições, e dessa vez Yushchenko emergiu como o indiscutível vencedor”.</p><p>Como Yancey, creio que nessa era a Igreja nunca será a tela maior, mas sim a menor, assumindo o papel daquela intérprete de libras. Na telona serão anunciadas muitas mentiras, mas caberá à igreja, mesmo em seu espaço reduzido, dizer o que é a verdade.</p><p>Para tanto, é necessário que a igreja viva a verdade que professa. Que nela não seja encontrado o pecado que condenará. A julgar pelo número de divórcios que existe entre pessoas que conhecem a Deus, por exemplo, já podemos concluir que falta muito para a igreja se constituir uma alternativa atraente à sociedade.</p><h3>Para os desesperançados, esperança</h3><p>Isso que dizer que devemos nos calar diante das novas tendências legislativas? Ora, quem quer falar que fale. Todavia, melhor seria, segundo o método de Jesus, transformar o reino dos homens no Reino de Deus, alcançando os perdidos. Para os que morrem, vida. Para os desesperançados, esperança.</p><p>Ao corpo de Cristo cabe efetuar, agora com mais plenitude, a missão de seu Cabeça: “&#8230; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” (Is 61.1-3).</p><p>Essa é a vontade de Deus. Então que venha, Senhor, o Reino de sua vontade.</p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/12/a-lei-a-igreja-e-as-janelas-dos-trens.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>Mais do que igreja nas casas: uma mudança no estilo de vida, e não somente de endereço</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/12/mais-do-que-igreja-nas-casas-uma-mudanca-no-estilo-de-vida-e-nao-somente-de-endereco.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/12/mais-do-que-igreja-nas-casas-uma-mudanca-no-estilo-de-vida-e-nao-somente-de-endereco.html#comments</comments> <pubDate>Sat, 03 Dec 2011 22:11:36 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Família]]></category> <category><![CDATA[Igreja nos lares]]></category> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1965</guid> <description><![CDATA[Templo nas casas Fomos tão acostumados a identificar igreja com o templo que quando se propôs o modelo de igreja nas casas, o que se fez, na verdade, foi transferir para este lugar as atividades habitualmente realizadas no templo. Ou seja, a cultura do templo passou a ser reproduzida no ambiente doméstico. Desde então, o [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<h3>Templo nas casas</h3><p>Fomos tão acostumados a identificar igreja com o templo que quando se propôs o modelo de igreja nas casas, o que se fez, na verdade, foi transferir para este lugar as atividades habitualmente realizadas no templo. Ou seja, <em>a cultura do templo</em> passou a ser reproduzida no ambiente doméstico. Desde então, o que se viu foi uma versão religiosa de um fenômeno cíclico que costuma atualizar a moda nos domínios das roupas, calçados, móveis ou automóveis: a tendência<em> retrô</em>, em que o velho torna-se novo, embora apenas aparentemente, pois a atualização é sempre acompanhada de um grau elevado de sofisticação. Fica-se com a impressão de que se está seguindo um estilo característico de antepassados, quando, na verdade, o que se tem é uma representação que não corresponde efetivamente ao original.</p><p>Igreja nas casas nestas condições é apenas uma mudança de endereço e de aparências, pois em essência seguem-se as mesmas práticas do templo, e as pessoas continuam com o mesmo estilo de vida. Tanto clérigos como leigos insistem em manter suas respectivas condições dando sobrevivência às mesmas tensões e comodismos.</p><p>Torna-se imperioso assumir que o termo “<em>igreja nas casas</em>” tenha uma conotação transitória quanto a local de reunião para que possa ser superado o mais urgente possível por meio de mudanças substanciais no estilo de vida dos cristãos, a fim de apresentá-lo mais condizente com o do evangelho. É necessário que “<em>igreja nas casas</em>” dê à luz uma nova geração que vá além da atual e envolva a vida da família na prática integral do evangelho. Se isso não ocorrer, há o sério e previsível risco de envelhecimento e esterilidade que paralisará o processo de mudança, fazendo com que “igreja nas casas” seja um sistema tão engessado como o do templo.</p><p>Quando nos referimos a casa, nos dias de hoje, queremos significar, com isso, o local, o endereço, o prédio físico. Já na Bíblia este termo permite uma associação imediata com a família, quando se menciona o patriarca dela. Isto fica muito claro, entre outras passagens, na conhecida declaração de Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15); na afirmação de Paulo ao carcereiro de Filipos: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31); na narrativa de Lucas: “Mas Crispo, o principal da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa&#8230;”(At 18.8); na recomendação de Paulo a Timóteo: “e que [o bispo] governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito.(pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (1 Tm 3.4-5).</p><p>Se já se conquistou a casa como endereço, também é necessário avançar para incluir a família. Isso implica rever a prática do evangelho, a começar pela nossa maneira de evangelizar, que se baseia num conceito prioritariamente individualista, compatível com a cultura do templo. A evangelização deverá considerar como seu foco principal a inclusão da família na comunidade, como vemos no caso de Cornélio (At 10), da vendedora de púrpura (At 16.11-15), do carcereiro (At 16.27-34) etc. Os frutos que colhemos são produto da maneira como se dá a nossa pregação do evangelho, se o fazemos de uma perspectiva individual ou familiar. Se não colocarmos nossa atenção sobre a família, “igreja nas casas” será apenas mais um sistema, agravado pela presunção de se apresentar mais bíblico e moderno que o templo.</p><p>Em primeiro lugar, há que se buscar uma vida de simplicidade, despindo-se das suntuosidades das cerimônias e dos rituais que, no templo, além de permitidos, são incentivados. E isto não é restrito apenas à classe com maior poder econômico, pois, como antes de tudo trata-se de uma questão de inclinação do coração, está presente também nos templos economicamente mais modestos. Ao voltar-se à simplicidade, automaticamente se perceberá o esbanjamento com recursos que poderiam ser empregados com muito mais objetividade no Reino de Deus.</p><p>Ora, a casa não é um lugar de cerimônias e de roupas especiais, mas de vida real. Nela se tem a grande possibilidade de desmanchar a dualidade trazida pela prática religiosa que faculta a uma pessoa ter, no templo, conduta diferente daquelas assumidas nos demais lugares. Não precisamos separar uma parte de nossa vida para praticar a santidade. Todas as nossas atividades devem ser santas, e nossas conversas, servirem de conteúdo de oração, inclusive no que se refere ao vocabulário.</p><p>O reconhecimento da existência de igreja numa localidade não deve ser uma questão somente de endereço, mas, acima de tudo, de estilo de vida de determinadas famílias ali residentes. Afirmar que se pratica “igreja nas casas” com a cultura do templo, com uma perspectiva não de transitoriedade, mas de permanência, acaba sendo uma hipocrisia. Ora, neste caso melhor seria continuar no templo.</p><h3>Igreja familiar</h3><p>É muito interessante comparar a existência da igreja dentro da família com a pérola dentro da ostra ou com as flores dentro do vaso. Nem todas as ostras contêm pérolas, como também nem todos os vasos contêm flores, mas como a presença das pérolas e das flores tornam especiais as respectivas ostras e vasos, assim também a igreja faz com a família.</p><p>Uma família-igreja tem como principal característica a abertura para incluir outros no mesmo amor com que seus membros são amados e assim expandir-se. Sob o governo de seu pai cristão, todos aprendem a ser ministros no sentido de serviço, e não na ostentação de um cargo formal conferido pela instituição. Na igreja familiar, o servo trabalha como se fora diretamente para o Senhor; o pai educa seus filhos com temor, sem irritá-los, pois sabe que em última instância eles pertencem a Deus e estão sob a responsabilidade paterna para descobrirem a missão para a qual foram enviados a esta vida; o marido ama a sua mulher e a conquista, obtendo dela a cooperação como uma submissão a sua missão familiar.</p><p>Uma das condições para avaliar se a cultura predominante numa igreja é a do templo ou a da família é observar se todos os membros são operantes. No templo, apenas uma parte deles atua, enquanto a maioria apenas desfruta do que a igreja oferece, pois não há espaço para todos. Diferentemente, na família há espaço e serviço para todos, num constante treinamento e aprendizagem.</p><h3>Estilo de vida</h3><p>O grande desafio de um pai que deseja que sua família seja como igreja é excluir Mamom da casa. Assim todas as suas decisões e ações, inclusive as de suprimento à família, estarão subordinadas aos valores espirituais, e não econômicos. Esta é, de fato, a grande diferença que pode marcar o estilo de vida de uma família que se vê como igreja. Nela a elevação do poder aquisitivo não deve significar como prioridade a elevação do padrão social e de conforto, numa relação direta de proporcionalidade, como uma simples condição de causa e efeito. Antes, a nova situação deve ser considerada em oração para se conhecer a vontade de Deus sobre como aplicar tais recursos em consonância com os objetivos do Seu reino, afinal foi Ele quem dispensou tais recursos, com a expectativa de sermos bons despenseiros.</p><p>Dado o enorme envolvimento econômico da família nos dias de hoje, isso pode parecer uma missão impossível. Não é por menos, pois até mesmo o planejamento da quantidade de filhos que um casal pretende ter é baseado nas condições financeiras, levando-se em conta o custo com despesas médicas, roupas, instrução escolar, transporte, tamanho da residência, entre outras coisas que a criação de um filho implica. Com isso as famílias estão diminuindo de tamanho, pois imagina-se que é melhor dar mais conforto material a poucos ou a um único filho. Imperceptivelmente vai-se petrificando uma cultura de egoísmo: com poucos irmãos ou nenhum, tolhe-se desde a infância a espetacular experiência de compartilhar as coisas. Por conseguinte, quando este filho se tornar pai, desejará oferecer mais do que recebeu, mesmo se para isso tiver que formar uma família ainda menor.</p><p>Não é difícil discernir como a sociedade atual tem sido configurada segundo o espírito de Mamom. Basta que observemos como cada nova geração supera a anterior nas condições físicas e materiais, mesmo porque as mais novas são mais bem aquinhoadas nas heranças. Porém a espiritualidade segue num sentido inverso, com valor reduzido a cada geração. Cada vez mais teremos pessoas que serão, ao mesmo tempo, gigantes quanto aos aspectos físico e material e nanicas quanto à condição espiritual. Isso parece ter um paralelo muito significativo e perigoso com a geração antediluviana.</p><p>Lutar contra essa correnteza, ainda que pareça uma missão impossível do ponto de vista humano, é o sentido em que Deus quer conduzir os seus filhos neste dias, dando graça a eles como deu a Noé. O confronto final se dará quando o anticristo acionar a armadilha que vem preparando durante toda a história para controlar a sociedade através do dinheiro, fazendo com que todo o comércio seja individualmente controlado, pois ninguém poderá comprar ou vender sem possuir a sua marca. Nestas condições só poderá sobreviver quem aprendeu a não depender do dinheiro e não o considera como deus, ou seja, somente os libertos de Mamom. Isso será um divisor de águas em dias não muito distantes.</p><p>Então nos cabe perguntar agora: de que adianta a alguém presumir-se liberto do templo e praticante de igreja nas casas se ainda mantém um estilo de vida atrelado visceralmente ao sistema econômico? Que proveito tem esse mesmo alguém, se a compra de uma televisão nova, um automóvel ou outro bem qualquer depende apenas da consulta, primeira ou exclusivamente, à conta bancária, e a única preocupação quanto à oração é pedir que Deus abençoe a conquista da satisfação desses desejos e não o de saber a vontade dele quanto ao destino dos recursos recebidos? Temos, nesse caso, a demonstração de uma fé contraditória, pois ao mesmo tempo em que seu detentor pede esta bênção, tem medo de indagar a vontade de Deus, por pressupor que Deus poderia lhe negar tal “felicidade”, revelando outro destino a tais recursos. Assim acredita que Deus é bom para satisfazer os seus desejos pessoais, mas não tão bom caso pudesse opinar antecipadamente sobre o que fazer com o dinheiro que se tem às mãos.</p><p>A geração que se alegra por ter implantado a “igreja nas casas” precisará decidir: dar o próximo passo ou se manter na zona de conforto, retardando ainda mais a volta do Senhor.</p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/12/mais-do-que-igreja-nas-casas-uma-mudanca-no-estilo-de-vida-e-nao-somente-de-endereco.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>1</slash:comments> </item> <item><title>A volta da igreja pródiga</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/11/a-volta-da-igreja-prodiga.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/11/a-volta-da-igreja-prodiga.html#comments</comments> <pubDate>Wed, 30 Nov 2011 01:21:22 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <category><![CDATA[Igreja]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1963</guid> <description><![CDATA[A Parábola do Filho Pródigo tem uma universalidade impressionante. Poucas histórias bíblicas são tão conhecidas quanto esta. Mesmo nos domínios estrangeiros à religião, não é difícil surpreender pessoas tomando como ilustração para alguma fala, opinião ou comentário o relato do filho arrependido que retorna à casa do pai e é graciosamente acolhido. Entre as muitas [...]<ul><li>- <a
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Que satisfação poderia ser maior do que esta?</p><p>O tema é tão prestigiado que encontra ressonância em muitas manifestações artísticas, fazendo convergir para um ponto comum os anseios profundos de todos aqueles que se reconhecem como não estando no lugar certo. Para ficar em dois exemplos, podemos, em primeiro lugar, lembrar do filme “Cidadão Kane”, em que o protagonista, no fim da vida, pronuncia uma palavra indecifrável para os que estão ao seu redor, cujo significado estava ligado a um brinquedo de seu tempo de criança. Depois de ter conquistado o mundo todo, o sucesso não foi suficiente para lhe garantir a paz característica dos que se sentem em casa. Para este personagem a única referência de casa era aquela que sua infância lhe proporcionara. Tendo se desviado desse lugar seguro e nunca mais para lá tornado, faltava-lhe sentido existencial, vazio que se acentuou quando o tema da morte passou a assombrá-lo. Um segundo exemplo retiramos dos versos do poeta contemporâneo Cacaso, em que parafraseia a conhecida “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias (“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá&#8230;”). Escreve Cacaso: “Minha pátria é minha infância / Por isso vivo sempre no exílio”). Poucas linhas dizem tanto acerca da nostalgia em relação a um tempo assumido como melhor, quase mítico, localizado em algum lugar do passado. O anseio, no entanto, é o mesmo: a crescente insatisfação do homem quando intui, no mais íntimo, que não se acha no lugar devido.</p><p>Hoje podemos revisitar a parábola bíblica em questão e reconhecer dois pródigos: o filho que deixa a casa e aquele que se perdeu dentro dela. Um e outro, o esbanjador e o amargurado, precisam recuperar sua filiação. E é somente a recepção amorosa do pai que pode oferecer o ambiente para tal transformação. Aliás, o grande pródigo da parábola é o pai. Ninguém gastou mais do que ele nesta história. Ele esbanja compaixão, cuidado, perdão, investimento paternal de toda sorte. Tenho pensado nesta cena narrada por Jesus como contendo razões para se viver uma vida inteira. Alguém já disse que todo o Evangelho está contido ali.</p><p>Se é assim, no abraço e ambiente ofertados pelo pai aos filhos que voltam podemos também antever o retorno da igreja ao lugar de onde nunca deveria ter partido. Se considerarmos que a igreja um dia já teve como centro o colo de Jesus, os ensinamentos vivos do mestre e toda a riqueza da demonstração de sua comunhão com o Pai, que embevecia um grupo familiar de judeus do primeiro século, o ambiente que sucedeu a este tomou caminhos bem diferentes. Que abismo entre o original e outros ambientes aos quais tem sido inadvertidamente dado o nome de igreja ao longo dos tempos! Da intimidade com Jesus e seu Espírito, rapidamente a igreja se deslocou para um endereço. Tendo começado de forma familiar e feito muitas famílias-discípulas, não demorou a trocar a relação pela reunião, a intimidade e a partilha pelo evento. Não nos estranha o fato de que lares, inicialmente, casas-endereço em seguida, passaram logo a ser assumidos como igrejas. O resultado não poderia ser outro: a família foi desalojada e deu gradativamente lugar a um funcionamento eclesiástico. A consequência foi o aparecimento dos templos, das catedrais, das instituições e impérios religiosos. Tudo muito diferente do colo e da companhia de Jesus. A vida simples e cotidiana, na qual os sinais do Reino se evidenciavam, foi substituída por cerimônias e rituais. Estilizou-se a vida, e os vínculos no Espírito Santo cederam lugar à organização.</p><p>Entretanto, com a graça de Deus, a igreja pródiga está retornando. Se lembrarmos que a partida foi um distanciamento gradativo que deixou o colo de Jesus, depois a família, em seguida as casas e foi parar no templo e em todas as suas decorrências institucionais, o caminho de volta deverá ser percorrido de forma inversa. Em primeiro lugar, as divisas das estruturas precisam cair; a seguir, a cultura do templo; posteriormente, a volta às casas será a consequência natural de quem passa a ver pouco sentido no ambiente anterior. Mas a casa não é a pousada definitiva. Igreja nas casas faz parte da transição – não da permanência – que pretende devolver a igreja à família, e esta à intimidade estreita com Jesus.</p><p>Já conseguimos ouvir o barulho dos preparativos da festa para a igreja que estava morta e reviveu, que tinha se perdido e foi encontrada? Bem, isso vai depender do ponto do retorno em que nos encontramos.</p><ul><li>- <a
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href="http://www.gruponews.com.br/2009/12/secularizacao-na-igreja.html" rel="bookmark">Secularização na igreja</a></li><li>- <a
href="http://www.gruponews.com.br/2011/02/cristo-o-reino-e-a-igreja-a-luz-de-quatro-narrativas-biblicas.html" rel="bookmark">Cristo, o reino e a igreja à luz de quatro narrativas bíblicas</a></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/11/a-volta-da-igreja-prodiga.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>Todo crente é um ateu</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/07/todo-crente-e-um-ateu.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/07/todo-crente-e-um-ateu.html#comments</comments> <pubDate>Tue, 12 Jul 2011 22:05:19 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1947</guid> <description><![CDATA[Tem-me acontecido frequentemente – conversando com alguém que se diz ateu – sentir-me de imediato numa total e sincera sintonia de pontos de vista com essa pessoa. O Deus que ele rejeita e afirma não poder existir, também eu rejeito e julgo sinceramente que não pode existir. Por isso não nos devemos impressionar se esse [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Tem-me acontecido frequentemente – conversando com alguém que se diz ateu – sentir-me de imediato numa total e sincera sintonia de pontos de vista com essa pessoa. O Deus que ele rejeita e afirma não poder existir, também eu rejeito e julgo sinceramente que não pode existir.</p><p>Por isso não nos devemos impressionar se esse alguém diz não acreditar em Deus. Em que ideia de Deus não acredita? Talvez essa pessoa nos responda: “Não posso acreditar num Deus que anda permanentemente atrás de nós para nos apanhar em falta e nos levar para o inferno”. Ou então: “Não posso acreditar num Deus que nos criou e depois nos deixou sozinhos com a nossa liberdade”. Terá toda a razão. Ainda bem que é ateu. Desse Deus eu também sou ateu. Esse Deus eu não acredito que exista ou que alguma vez possa ter existido.</p><p>Ou seja, ateus somos todos nós, os crentes. Somos todos ateus de falsos deuses. A verdadeira questão não é tanto saber se alguém acredita ou não em Deus, mas em que Deus acredita ou que Deus rejeita. Dizendo isso em linguagem bíblica: ter fé implica sempre desconstruir “falsos deuses”, ídolos com a forma de “bezerros de ouro”, que são meramente fruto das nossas projeções e dos nossos medos, como fez o povo de Israel no deserto (Êx 32).</p><p><em>Extraído de “O príncipe e a lavadeira”, de Nuno Tovar de Lemos, sj, Edições Paulinas.</em></p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/07/todo-crente-e-um-ateu.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>A “lei do Espírito da vida” contra o aborto</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/07/a-lei-do-espirito-da-vida-contra-o-aborto.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/07/a-lei-do-espirito-da-vida-contra-o-aborto.html#comments</comments> <pubDate>Tue, 12 Jul 2011 22:00:40 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1601</guid> <description><![CDATA[O que mais me chateou na discussão sobre o aborto, trazida para dentro do debate político nas eleições de 2010, foi a onda crescente de mensagens via e-mails transmitidas e retransmitidas diariamente por aqueles que se dizem cristãos, povo de Deus, e, no entanto, não demonstram o menor cuidado de reflexão e avaliação sobre o [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>O que mais me chateou na discussão sobre o aborto, trazida para dentro do debate político nas eleições de 2010, foi a onda crescente de mensagens via e-mails transmitidas e retransmitidas diariamente por aqueles que se dizem cristãos, povo de Deus, e, no entanto, não demonstram o menor cuidado de reflexão e avaliação sobre o assunto. Para quem não está inteirado, ou não conhece nada além daquilo que circula na internet, faz-se necessário um pouco mais de informação.</p><p>Embora o Código Penal, em seus artigos 123 a 128, ameace com punição os praticantes, no Brasil acontecem diariamente 2,7 mil abortos, aproximadamente 1 milhão por ano. E aqui é importante lembrar que a quase totalidade dos casos que chegam ao serviço público de saúde é de mulheres pobres, pois as “bem nascidas” são atendidas em clínicas particulares, por médicos particulares. Perpetua-se, assim, o grande estigma que assola nossa nação: crime é coisa de gente pobre e negra.</p><p>Poucos se dão conta de que há uma indústria do aborto no país: clínicas sofisticadas são sustentadas por quem tem recursos financeiros para pagar pelos procedimentos de interrupção da gravidez e ficar longe tanto das garras do Direito Penal quanto das complicações pós-cirúrgicas que causam em média a morte de 300 mulheres anualmente no Brasil (é a quarta causa de morte materna). Destaque-se que tais clínicas muitas vezes apresentam-se disfarçadas como centros de beleza estética.</p><p>História relativamente parecida se repete no tráfico de drogas: quem o alimenta não é a população pobre, que mal consegue comprar um cigarro de maconha ou uma pedra de crack, mas as classes média e alta, abastadas o suficiente para pagar caro por alguns gramas de cocaína, heroína e tantas outras drogas consumidas em festas promovidas por pessoas da elite social e financeira de nosso país.</p><p>E do ponto de vista da fé, como o aborto tem sido encarado? Basta citar versículos ou usar frases de efeito para combatê-lo? Bastam documentos redigidos por grupos religiosos condenando a prática e acusando governos? O que de concreto o chamado povo de Deus tem feito?</p><p>A fornicação está disseminada em nossa juventude e é assumida como algo muito natural. Poucos têm coragem de admitir que tal prática é, em potencial, a maior fonte de abortos no Brasil e no mundo. Fico espantado ao ver especialistas da educação incentivando a distribuição de preservativos no ambiente escolar sob o argumento de que isso ajudará na redução da incidência de gravidez na adolescência e também das DSTs. E o que é pior: ainda acusam a Igreja Católica de conservadorismo burro e inconsequente. É bom que se saiba que a Igreja não é contra o uso da camisinha, até porque esta discussão ali não encontra espaço. Qual o motivo de a mídia lutar tanto contra a Igreja por ela pregar a castidade para os solteiros e a fidelidade entre os casados?</p><p>O que assistimos, nas últimas eleições, foi a uma verdadeira inversão de papéis envolvendo uma multidão de cristãos, em sua maioria constituída por jovens, consumidores insaciáveis das chamadas redes de relacionamento ou redes sociais: ao invés de estarem espalhando palavras de salvação, deixaram-se usar como massa de manobra pelas mãos de astutos “marketeiros” políticos. E como isso se deu? Simples: fazendo circular mensagens “travestidas de religião”, porém com fundo meramente político.</p><p>O curioso é que muitos dos que encaminham tais mensagens estão vivendo uma vida de fornicação e infidelidade, contribuindo para a disseminação do aborto e das DSTs. É tempo de acordar para a realidade, que é aquilo que não vemos, pois tudo que está sob o sol é passageiro. A conversão do coração ao Salvador é a única arma eficaz contra o aborto e toda sorte de pecado que existe sobre a terra. Fica a exortação do apóstolo Paulo: “Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?” (Rm 10.14).</p><p>Quem estiver disposto a lutar contra o aborto, as drogas e tudo mais que está destruindo nossos jovens e nossas famílias precisa buscar a santidade pessoal e trabalhar para a expansão do Reino de Deus. Esse é o papel do povo de Deus, pois ainda que os homens aprovem leis que vão contra a vida, não vivemos mais pela lei do pecado, mas pela lei do Espírito da vida que nos libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte (Rm 8.2). Por essa lei do Espírito da vida viverão todos aqueles que receberem a Jesus como único e suficiente Salvador. Contra isso não há lei nem decretos.</p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/07/a-lei-do-espirito-da-vida-contra-o-aborto.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> <item><title>O gigante egoísta</title><link>http://www.gruponews.com.br/2011/07/o-gigante-egoista.html</link> <comments>http://www.gruponews.com.br/2011/07/o-gigante-egoista.html#comments</comments> <pubDate>Tue, 12 Jul 2011 21:59:02 +0000</pubDate> <dc:creator>Fernando</dc:creator> <category><![CDATA[Matérias]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.gruponews.com.br/?p=1883</guid> <description><![CDATA[Todas as tardes, à saída da escola, as crianças estavam acostumadas a ir brincar no jardim do gigante. Era um jardim grande e muito bonito, coberto de grama verde e suave. Dispersas sobre a grama, brilhavam belas flores como estrelas e havia uma dúzia de pessegueiros que, na primavera, cobriam-se de delicados botões rosáceos e, [...]<ul><li> N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</li></ul> ]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p>Todas as tardes, à saída da escola, as crianças estavam acostumadas a ir brincar no jardim do gigante. Era um jardim grande e muito bonito, coberto de grama verde e suave. Dispersas sobre a grama, brilhavam belas flores como estrelas e havia uma dúzia de pessegueiros que, na primavera, cobriam-se de delicados botões rosáceos e, no outono, davam saborosos frutos.</p><p>Os pássaros pousavam nas árvores e cantavam tão deliciosamente que as crianças interrompiam suas brincadeiras para escutá-los.</p><p>– Que felizes somos aqui! – gritavam uns aos outros.</p><p>Um dia o gigante regressou. Fora visitar seu amigo, o ogro de Cornualles, e permanecera com ele durante sete anos. Transcorridos sete anos, havia dito tudo o que tinha que dizer, pois era um homem econômico em palavras, e decidiu voltar para seu castelo. Ao chegar, viu as crianças brincando no jardim.</p><p>– O que vocês estão fazendo aqui? – gritou-lhes com voz azeda, e as crianças saíram correndo.</p><p>– Meu jardim é meu jardim – disse o gigante. – Já chegou a hora de vocês entenderem isso, e não vou permitir que ninguém, além de mim, brinque nele.</p><p>Então construiu um alto muro ao redor do jardim e pôs o seguinte cartaz: “Proibida a entrada.</p><p>Os transgressores serão processados judicialmente”.</p><p>Era um gigante muito egoísta.</p><p>As pobres crianças não tinham, então, onde brincar.</p><p>Tentaram fazê-lo na estrada, mas a estrada estava cheia de poeira e de pedras pontiagudas, e não gostaram.</p><p>Acostumaram-se a vadiar de um lado para o outro, ao terminar os deveres da escola, ao redor do alto muro, para conversar sobre o lindo jardim que havia do outro lado.</p><p>– Que felizes éramos ali! – diziam-se uns aos outros.</p><p>Então chegou a primavera, e o país todo se encheu de botões e passarinhos. Só no jardim do gigante egoísta continuava sendo inverno.</p><p>Os pássaros não se preocupavam em cantar ali desde que não havia crianças, e as árvores se esqueceram de florescer. Só uma bonita flor levantou a cabeça sobre o mato, mas quando viu o cartaz, entristeceu-se tanto, pensando nas crianças, que se deixou cair outra vez na terra e adormeceu.</p><p>Os únicos satisfeitos eram a Neve e o Gelo.</p><p>– A primavera esqueceu-se deste jardim – gritavam. – Poderemos viver aqui durante o ano todo.</p><p>A Neve cobriu a grama toda com seu manto branco, e o gelo pintou de prata todas as árvores. Então convidaram o Vento do Norte para passar uma temporada com eles, e o Vento aceitou.</p><p>Chegou coberto de peles e uivava o dia todo pelo jardim, derrubando as coberturas das chaminés.</p><p>– Este é um lugar delicioso – dizia. – Temos que dizer ao Granizo que venha nos visitar.</p><p>E chegou o Granizo. Cada dia, durante três horas, tocava o tambor sobre o telhado do castelo, até que quebrou a maioria das telhas e então se pôs a dar voltas ao redor do jardim correndo o mais veloz que podia. Ia vestido de cinza, e seu hálito era como o gelo.</p><p>– Não posso compreender como a primavera demora tanto para chegar – dizia o gigante egoísta, ao olhar pela janela e ver seu jardim branco e frio. – Espero que este tempo mude!</p><p>Mas a primavera não chegou, e o verão também não. O outono deu dourados frutos a todos os jardins, mas ao jardim do gigante não lhe deu nenhum.</p><p>– É egoísta demais – dizia.</p><p>Assim sendo, sempre era inverno na casa do gigante, e o Vento do Norte, o Gelo, o Granizo e a Neve dançavam entre as árvores.</p><p>Uma manhã, o gigante ainda estava deitado, quando ouviu uma música deliciosa. Soava tão docemente aos seus ouvidos que ele pensou que seria o rei dos músicos que passava por ali. Na realidade, era só um pintassilgo que cantava diante de sua janela, mas fazia tanto tempo que ele não ouvia um pássaro cantar no seu jardim, que lhe pareceu a música mais bonita do mundo. Então o Granizo deixou de dançar sobre sua cabeça, o Vento do Norte deixou de rugir, e um delicado perfume chegou até ele, através da janela aberta.</p><p>– Acho que, finalmente, chegou a primavera – disse o gigante; e saltando da cama, olhou para fora. O que foi que ele viu?</p><p>Viu um espetáculo maravilhoso. Por uma fresta aberta no muro, as crianças tinham penetrado no jardim, tinham subido às arvores e estavam sentadas nos seus galhos. Em todas as árvores que estavam ao alcance de sua vista, havia uma criança. E as árvores se sentiam tão felizes de tornar a ter as crianças consigo, que se cobriram de botões e agitavam suavemente seus galhos sobre a cabeça das crianças.</p><p>Os pássaros revoluteavam e conversavam com deleite, e as flores riam erguendo a cabeça sobre a grama. Era uma cena maravilhosa. Só num cantinho continuava sendo inverno. Era o cantinho mais afastado do jardim, e ali se encontrava um menino muito pequeno. Tão pequeno que não podia alcançar os galhos da árvore, e dava voltas ao seu redor chorando desconsolado. A pobre árvore continuava ainda coberta de gelo e neve, e o Vento do Norte soprava e rugia a sua volta.</p><p>– Suba, pequeno! – dizia-lhe a árvore e lhe esticava seus galhos bem abaixo o mais que podia; mas o menino era pequeno demais. O coração do gigante enterneceu-se ao contemplar aquele espetáculo.</p><p>– Que egoísta que eu fui! – disse lá com seus botões. – Agora compreendo por que a primavera não veio até aqui. Vou colocar o menininho no alto da árvore, derrubarei o muro, e meu jardim será o parque de recreio das crianças para sempre.</p><p>Estava verdadeiramente arrependido pelo que tinha feito.</p><p>Lançou-se escadas abaixo, abriu a porta principal com toda suavidade e saiu ao jardim.</p><p>Mas as crianças ficaram tão assustadas quando o viram que fugiram correndo, e no jardim voltou a ser inverno.</p><p>Só o menininho não correu, pois seus olhos estavam tão cheios de lágrimas, que não viu o gigante chegar perto dele. E o gigante deslizou-se atrás dele, pegou-o carinhosamente no colo e colocou-o sobre a árvore. A árvore floresceu imediatamente, os pássaros se aproximaram, e a criança estendeu os bracinhos, rodeou com eles o pescoço do gigante e beijou-o.</p><p>Quando as outras crianças viram que o gigante já não era mau, voltaram correndo, e a primavera voltou com eles.</p><p>– De agora em diante, este é o jardim de vocês, minhas queridas crianças – disse o gigante, e pegando um grande machado, derrubou o muro. E quando ao meio-dia passaram por ali pessoas que iam ao mercado, encontraram o gigante brincando com as crianças no jardim mais bonito que eles já tinham visto.</p><p>Durante todo o dia estiveram brincando e ao entardecer foram se despedir do gigante.</p><p>– Mas onde está o menininho, aquele que eu subi à árvore? – perguntou.</p><p>Esta era a criança de que o gigante mais gostava porque o havia beijado.</p><p>– Não sabemos – responderam as crianças –, foi-se embora.</p><p>– Diga-lhe que venha amanhã sem falta – disse-lhes o gigante.</p><p>Mas as crianças disseram que não sabiam onde ele morava e nunca o tinham visto antes. O gigante ficou muito triste.</p><p>Todas as tardes, quando terminavam as aulas, as crianças iam brincar com o gigante. Mas o menininho, de que o gigante tanto gostava, não apareceu nunca mais. O gigante era muito bom com todas as crianças, mas sentia saudade daquele pequenininho e, muitas vezes, falava dele.</p><p>– Como eu gostaria de vê-lo! – costumava dizer.</p><p>Transcorreram vários anos, e o gigante envelheceu muito, e cada vez estava mais fraco. Já não podia participar das brincadeiras; sentado na sua grande poltrona, via as crianças brincarem e admirava seu jardim.</p><p>– Tenho muitas flores formosas – dizia –, mas as crianças são as flores mais belas. Numa manhã invernal, olhou pela janela, enquanto estava se vestindo. Já não detestava o inverno, pois sabia que o inverno não era mais que a primavera adormecida e o repouso das flores.</p><p>De repente, esfregou os olhos, atônito, e olhou e tornou a olhar. Verdadeiramente se tratava de uma visão maravilhosa. No mais longínquo cantinho do jardim, havia uma árvore totalmente coberta de lindos botões brancos. Seus galhos eram dourados, frutos de prata penduravam-se deles e debaixo, de pé, estava o menininho de que ele tanto gostava.</p><p>O gigante correu escadas abaixo com grande alegria e saiu ao jardim. Correu precipitadamente pela grama e chegou perto do menino. Quando estava perto dele, seu rosto ficou vermelho de raiva, e exclamou:</p><p>– Quem se atreveu a feri-lo? – Pois nas palmas das mãos do menino havia a marca de dois pregos, e a mesma coisa acontecia nos seus pezinhos.</p><p>– Quem se atreveu a feri-lo? – gritou o gigante. – Diga-me quem foi para que eu pegue minha espada e o mate.</p><p>– Não – respondeu o menininho. – Estas são feridas do amor.</p><p>– Quem é você? – perguntou o gigante; e um estranho temor invadiu-o, fazendo-o cair de joelhos diante do pequeno.</p><p>E o menino sorriu ao gigante e lhe disse:</p><p>– Uma vez você me deixou brincar no seu jardim, hoje você virá comigo ao meu jardim, que é o Paraíso.</p><p>E quando chegaram as crianças naquela tarde, encontraram o gigante deitado, morto, debaixo da árvore,todo coberto de botões brancos.</p><p>Contribuição: Eliel Balduíno de Almeida</p><ul><li><p>N&atilde;o h&aacute; t&oacute;picos relacionados.</p></li></ul> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.gruponews.com.br/2011/07/o-gigante-egoista.html/feed</wfw:commentRss> <slash:comments>0</slash:comments> </item> </channel> </rss>
