O trabalho e o Reino Milenar

Num futuro próximo, o governo que os homens exercem sobre as nações e o mundo será tomado. Cristo voltará e governará por mil anos. Não se trata de conto de fada nem de mito, mas de um fato (já existente, mas que ainda não nos alcançou em nosso tempo cronológico).

Minha ideia, nesta conjectura, sempre foi equivocada (ou não), pois pensava que reinar com Cristo (sim, iremos reinar com ele) seria o mesmo que sentarmos à mesa do banquete e cantarmos lindas canções, enquanto nos deliciamos com o melhor vinho que alguém poderia fabricar. Não posso afirmar que estou inteiramente equivocado, pois haveremos de ter banquetes, e música, e vivas, e dança! Mas acredito que o doce sabor desse Reino não se resume a esse tipo de prazer.

O que tentarei abordar neste texto é como as atividades e relações humanas se integrarão a este Reino Milenar, ou como essas mesmas atividades e relações serão destruídas, tornando imprestáveis e antiquados aqueles que se dedicam a elas.

UTI Milenar

Você já perguntou por que será que o Reino Milenar durará mil anos? Por que não foi escolhido um número mais simbólico, como 7 ou 40? A única resposta a que consigo chegar é: Deus escolheu 1000 anos porque seria o tempo suficiente para desintoxicar a raça humana das próprias mentiras e das mentiras do diabo.

Conforme relata o livre do Apocalipse, o diabo será preso para deixar de “enganar as nações”. Durante esse período, e sob a batuta de Cristo, os homens poderão se confrontar consigo mesmos e poderão, sem forças externas que lhes influenciem, optar por se submeterem a Deus e ao seu Reino. Contarão, é claro, com a ajuda de seus irmãos ressurretos e transformados, que poderão indicar-lhes o caminho se assim o desejarem.

Vou utilizar um exemplo bastante difundido por meu sogro. A criança, em certa idade, acredita que seu avô sempre foi velhinho. É a coisa mais estranha quando ela vê fotos do seu avô ainda jovem, pois na sua cabeça ele nasceu do modo como é atualmente. Do mesmo jeito, a grande maioria dos homens que nasce na nossa época acredita que a sociedade e os valores sempre foram os mesmos, o que não é verdade. Qualquer análise que se faça da sociedade é apenas uma foto, ou seja, congela um momento de uma estrutura que se movimenta ininterruptamente.

Assim, acredito que esses mil anos de novo reinado servirão para gerar na humanidade uma nova mentalidade, a ponto de que uma criança que nasça no ano 800 do Reino Milenar não consiga acreditar que na história da humanidade existiram coisas como escravidão, guerras, genocídios, fome, discriminação etc. Será como uma lenda distante que não guarda qualquer relação com o cenário atual vivido por aquela criança.

Todavia, não acredito que Deus violará o livre-arbítrio durante o Milênio. Isso não ocorreu no Éden, onde tal intervenção faria mais sentido, evitando assim milhares de anos de pecado e desobediência, e não ocorrerá na reta final da história terrena. Dessa forma, é muito plausível que durante o novo Reino exista sim um submundo, um lugar que, como na época do profeta Ezequiel, tinha uma aparência de piedade, mas no fundo era um local onde se adorava outro deus (Ez 8).

Por certo, as coisas serão muito diferentes do que são hoje. Se temos atualmente um sistema legislativo e judiciário que não consegue simbolizar a justiça divina (até porque não é este o interesse do legislador humano), por exemplo, imagine como será o novo sistema baseado no amor (já que no amor encerramos o cumprimento de toda a lei). Fome, guerra, morte serão realidades distantes da nova vida no Reino de Cristo. Porém, não é possível converter alguém só mudando seu ambiente, por melhor que este ambiente seja.

Na ficção “O Grande Abismo”, de C. S. Lewis, conta-se a história de um grupo de fantasmas (mortos não salvos) que embarcam em uma viagem para visitar o céu – morada das almas salvas. É possível verificar que, embora os fantasmas pudessem ter contato com a realidade celeste, vendo toda a beleza e maravilha dos jardins de Deus, isso não mudava seu interior. Os perdidos permaneceram perdidos dentro de si mesmos, num engano enraizado dentro do próprio coração. Praticamente todos fizeram a viagem de volta ao inferno.

Por fim, não se pode esquecer que o diabo será solto e encontrará audiência para um levante militar sem precedentes. Os enganados serão aqueles que escolheram ouvir mentiras, e Adão e Eva, seus ícones.

Panorama histórico das relações de trabalho

Neste contexto, no qual coexistirão e se fundirão as realidades espiritual e física de uma forma nunca vista desde o Éden, inicio por tratar um tema da minha área: como serão as relações de trabalho durante o Reino Milenar? Pois bem, termos um panorama histórico do tema “trabalho” seria importante.

Como todos sabem, trabalho foi uma ordem de Deus ao homem após a queda deste. Para alguns foi uma maldição, já que antes o homem não precisaria trabalhar. Para outros, é uma garantia, já que independentemente de qualquer situação, se trabalharmos, comeremos. O latim corrobora a posição dos “amaldiçoados”, já que a origem da palavra faz referência a um instrumento de tortura, o tripalium. Todavia, devemos desconsiderar a origem latina da palavra, já que é inegável que Deus trabalhe – a bíblia diz isso – e que Adão, antes da queda, também trabalhou (ou será que dominar e sujeitar a criação e guardar o jardim não são trabalhos?). No caso deles, não se tratou de maldição, muito menos de tortura, mas do prazer que o trabalho oferece como integrante da natureza humana e divina.

Isso posto, para definir trabalho, podemos utilizar o conceito mais amplo que poderia existir: trabalho é toda ação que cria, transforma ou destrói alguma coisa, física ou não, no meio onde esta inserido o agente.

Após a queda, o homem precisou trabalhar para comer, ou seja, precisou trabalhar privilegiando seu próprio benefício. Todavia, o homem ainda não conhecia o individualismo que impregnaria sua alma, e quando dizemos que o homem passou a trabalhar para seu próprio benefício, incluímos nisso o homem e seus familiares. Todos tinham suas funções específicas e trabalhavam em prol da estrutura familiar. Nessa época, a Terra estava vazia, não fazendo sentido um homem chamar um pedaço de chão de seu.

Com o desenvolvimento da sociedade, porém, não demorou muito para que o homem percebesse quão valiosa era a sua força de trabalho. Ora, o homem tinha força não só para proporcionar seu próprio sustento, mas para produzir enormes mudanças no mundo conhecido, especialmente quando se dedicava coletivamente a um intento comum.

Por outro lado, o conceito de propriedade começou a prosperar. Não tenho conhecimento de como isso se deu no restante do mundo, mas temos um bom exemplo bíblico – o povo hebreu. Deus dividiu a terra prometida entre todas as tribos, e cada tribo dividiu sua parte com seus integrantes. Esses integrantes eram livres para se dedicarem às mais variadas atividades, inclusive empreendedoras, e foi natural o homem se tornar credor de outro homem.

Prevendo que isso poderia acontecer, Deus estabeleceu o Jubileu, ou seja, o ano em que a sociedade voltaria ao seu marco inicial, com a devolução de terras, perdão de dívidas etc. Ocorre que os hebreus, ao que parece, nunca aplicaram esta regra, o que seria apenas um reflexo da estrutura da natureza humana, mesma estrutura que estava agindo em todo mundo conhecido. Ao acumular mais bens do que seus semelhantes, o homem mais rico acabou dominando sobre o homem mais pobre. Isso foi se agravando a ponto de alguns homens não serem mais tratados como pessoas, mas como propriedade, como era o caso dos escravos, produto de derrotas em guerras e de pagamentos de dívidas.

As gerações posteriores iam surgindo com a Terra cada vez mais ocupada, com homens cada vez mais poderosos e com regras cada vez mais protetoras do status quo. Os dominadores tinham diversos nomes: reis, imperadores, senhores feudais, papas etc., mas a semelhança entre eles era sempre a mesma: a busca de cada vez mais poder e capacidade para dominar a outros. Esses personagens são onipresentes na história humana conhecida.

Em vários pontos da história, houve insurgências contra essa dominação, mas em um específico houve uma grande ruptura: a Revolução Francesa. Sem entrar no mérito dessa revolução, quem a comandou, quais seus frutos etc., o que interessa para nós é seu slogan: “Liberdade, Fraternidade e Igualdade”, formado por substantivos cuja concretização histórica é cada vez mais rara.

Em outras palavras, na Revolução Francesa a intenção era que o soberano, fosse ele quem fosse, se afastasse, e os particulares pudessem desenvolver suas atividades livremente, sob o apelo de que sem o soberano seriam livres. Ora, a liberdade alcançou os particulares, porém apenas uma pequena parte da burguesia. As demais pessoas permaneciam dominadas, agora não pelo poder da norma legal ou religiosa, ou pelo poder do carisma pessoal, mas pelo poder do capital.

O Capitalismo e o Liberalismo floresceram sem eliminar a desigualdade, sem libertar os homens e muito menos sem fazer com que os homens se tratassem de forma mais fraternal. Com o afastamento do soberano, os detentores do capital firmaram seus domínios, utilizando como bem entendiam a mão de obra de seus semelhantes.

Não estou me afastando do tema trabalho. Durante todo esse tempo, o que é físico e visível das épocas passadas (especialmente as construções) foram aquisições da humanidade pagas com muito suor e sangue de escravos ou subassalariados. É quase possível generalizar.

Voltando à dominação dos capitalistas e liberais, era questão de tempo até que as grandes massas se revoltassem contra os maus-tratos que lhes eram infligidos. Prevendo a queda de seu império, o Capitalismo instigou o governo a atender pelo menos em parte o anseio popular: aboliu-se a escravidão, criou-se uma nova classe de trabalhadores (assalariados), previram-se alguns direitos, como jornada de trabalho limitada, descansos regulares, melhores condições de trabalho, entre outros.

Os mais pessimistas dizem que esses direitos só foram concedidos para manter o povo sob as rédeas do Capitalismo. Não seria um ponto de vista difícil de aceitar. Podemos ver nesse estágio da história um novo movimento, qual seja: o governo interferindo em prol do povo. No Brasil isso se deu especialmente durante o governo de Getúlio Vargas.

Ocorre que no finalzinho do século passado e no começo do atual há novamente um movimento para se diminuírem os direitos e encargos trabalhistas, cujo fim é permitir que os interessados (empregadores e empregados) se organizem entre si (sim, você já viu esse filme antes). Chamam essa ideia de flexibilização dos direitos trabalhistas.

Sei que os historiadores me apedrejarão pelas afirmações que estou prestes a fazer, mas se fosse resumir a história mundial do trabalho, faria da seguinte forma: a) os homens trabalhavam para o benefício da coletividade familiar, sem claras noções do que seria propriedade privada; b) alguns homens começaram a dominar sobre outros homens, enquanto o conceito de propriedade ia ganhando cada vez mais relevância. Surgiam os soberanos (reis, imperadores, autoridades religiosas etc.) que exploravam o povo; c) há uma pressão generalizada para se afastarem os soberanos, em todas as suas esferas, permitindo que os homens pudessem se organizar; os soberanos passam a ser os mais ricos, e a dominação só muda de mãos; o conceito de propriedade está plenamente consolidado; d) o soberano deposto, em forma de governo, passa a intervir nas relações de trabalho e a prever direitos, protegendo a parte trabalhadora; e) nos tempos atuais, há novo movimento para “flexibilização” dos direitos trabalhistas, com a finalidade clara de permitir que os particulares se ajustem e regulem a si mesmos.

Alguém já escreveu que a história se repete porque ninguém presta atenção. De fato, a história do trabalho sempre será pressionada pela ambição por poder e por dominação do homem sobre outros homens. Sempre haveremos de querer nos beneficiar do trabalho de nosso próximo e quanto menos pagarmos por este trabalho, melhor.

Depois de vermos esse pequeno histórico, estamos mais aptos a fazermos algumas perguntas: nosso conceito sobre trabalho está correto para a época em que vivemos? Nosso conceito atual de trabalho poderá ser inserido no Reino Milenar? Haverá relações de trabalho nos Mil anos de Reinado de Cristo? Se sim, como trabalharemos e por que trabalharemos?

O trabalho no Reino Milenar Messiânico

Somente com revelação e reflexão coletiva poderíamos elucidar essas questões. O que podemos fazer, porém, é iniciar pensando ao contrário: como não serão as relações de trabalho durante o Milênio.

a) O trabalho não será utilizado para fins de propriedade de terra

Deus teve um cuidado imenso ao tratar a questão da terra quando revelou sua lei a Moisés. Cada família teria sua própria possessão, não podendo ser privada desta. Deus falou claramente que a terra era sua (Lv 25.23), e seus habitantes, apenas peregrinos com Ele.

O que se tornou hoje a propriedade da terra? Ela, logicamente, é utilizada para fixação da moradia e, consequentemente, proteção. Porém, por trás desses objetivos, perdura ainda hoje algo que era condenado por Deus em sua lei: o enriquecimento de alguns por meio da usurpação da propriedade da terra, antes um bem coletivo, para vendê-la em pedaços a outros homens, que gastarão a maior parte da vida e do fruto de seu trabalho com o pagamento de seu preço. A terra, atualmente, é tida como investimento, finalidade muito distante daquela intencionada originalmente por Deus.

Você pode pensar que é algo radical falar em usurpação. Porém, os grandes proprietários ou se apropriaram das terras que não pertenciam a ninguém, ou as compraram com as riquezas acumuladas frequentemente com a exploração do trabalho alheio.

Dessa forma, acredito que o Senhor Jesus há de impor sua vontade neste sentido, qual seja: de que cada família tenha sua porção de terra onde poderá se estabelecer e viver, não precisando gastar vários anos ou décadas de trabalho, como hoje é comum, para esse fim. Aqueles que ainda necessitem da terra terão um pedaço dela.

b) Não haverá exploração do trabalho alheio – ninguém trabalhará para outrem que não seja o Soberano Rei

Conforme vimos, nunca houve época em que o trabalho do próximo não fosse explorado para benefício alheio, inclusive contra a vontade do trabalhador (escravidão). Durante um determinado período histórico, inclusive, o trabalho foi tido como atividade única dos serviçais e escravos, não sendo digno de ser desempenhado por pessoas das altas estirpes. Todavia, não há como este cenário ser transportado para o Reino Milenar.

O trabalho, como vimos, é uma atividade inerente à pessoa humana e à pessoa divina. Não se trata de maldição ou tortura, mas de prazer em ter nas mãos o poder de transformação e criação. O trabalho somente se tornou um mal porque passou a explorar mão de obra de outrem em benefício alheio. Não que trabalhar por outrem seja mal. Ora, o homem deve trabalhar por sua família. Porém, o trabalhar para homens orgulhosos que só buscam o lucro e a riqueza é que não terá lugar no Reino Milenar.

c) O trabalho não será exercido senão levando em conta a vocação de cada trabalhador

Todo o trabalho de Deus, que sucedeu a Gênesis 1.1, teve como intenção a restauração da Terra, que estava bastante destruída com a queda de Lúcifer, e incluiu a criação do Homem. Vemos que Deus deu incumbências específicas a Adão e Eva, como lavrar e guardar o jardim (Gn 2.15). Gênesis 1.28 descreve a ordem direta: “E Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.”

Podemos concluir, assim, que o homem era o parceiro de Deus na restauração da Terra, parceria na qual cada um tinha sua função, de acordo com suas habilidades. O homem era vocacionado a auxiliar Deus, porém não o fez por muito tempo. O pecado interrompeu esta união, fazendo do homem não mais parceiro de Deus, mas objeto de seu trabalho e, em última análise, opositor ao trabalho divino.

Estamos tratando disso apenas para apontar a raiz da vocação humana, qual seja: ser auxiliar de Deus na implantação de Seu Reino.

O quadro hoje é bem diferente de seu esboço original, conquanto ainda muito melhor do que o verificado em décadas anteriores: é privilégio de uma minoria poder trabalhar levando em consideração sua vocação. É mais comum considerarmos outros fatores, como o salário e a empregabilidade. Isso resulta em frustração, uma vez que dificilmente se cumpre na existência humana a principal função para a qual ela foi criada. Resulta, também, levando em conta uma visão mais abrangente, num empobrecimento do mundo, como se o banco dos talentos humanos fosse sempre subterrâneo, não rendendo a multidão de feitos de que seria capaz. No Milênio não será assim. A ação, o anseio por transformação, a faceta da criatividade divina, uma vez livres de nossas atuais necessidades de segurança, serão revelados em cada ser humano.

Conclusões

Você pode estar se fazendo, após tanto discurso, uma pergunta decisiva: vale realmente a pena pensar sobre o Milênio de forma tão concreta, já que Cristo poderá dar um jeito em tudo? Ou ainda: se eu estarei ressuscitado, porventura empregarei alguma coisa disso que estou lendo? Respondo a estas indagações com propostas de reflexão:

1. O reino dos homens e o Reino Milenar são complementares. Deus não faz nada inútil. Se o mundo como ele é existe, é porque é necessário, assim como é necessário o Milênio. Se não houvesse relação entre eles, o fluxo da história não faria sentido, assim como não faria sentido ressuscitar homens da etapa anterior para a nova etapa, ou permitir que homens da etapa anterior permanecessem vivos para a etapa posterior. Há sim uma relação entre os dois reinos, cabendo a nós desejarmos revelação que amplie nossa compreensão a respeito.

2. Precisamos nos familiarizar com outras formas de ver o mundo. A vida nesta Terra parece realmente um estágio probatório. Quando pensamos em amor, por exemplo, temos certeza de que ele existirá no céu ou no Milênio, mas o local de se aprender o que é amar não é lá, é aqui. É aqui que aprenderemos muitas qualidades e valores que exerceremos em sua plenitude em outros lugares. Dessa forma, é possível antever que no Milênio o padrão de pensamento será outro: não poderemos, por exemplo, viver buscando o lucro, o benefício próprio, em conformidade com o pensamento deste mundo. Será que não devemos pensar e praticar este novo padrão desde agora? Obviamente que não podemos simplesmente romper com o sistema em que vivemos, caindo em uma utopia que só resultará em frustração. Mas está dentro de nossa alçada dar pequenos passos, de acordo com a capacidade existente dentro de nossos pequenos reinos pessoais.

3. Poderá haver carência de mão de obra qualificada durante o Milênio. Sou um advogado que adora ferramentas. Gosto de pensar que posso fazer qualquer coisa com elas: montar, cortar, cavar, moer e bater. Todavia, apesar de ter boa vontade, tenho entendido que cada macaco deve ficar no seu galho, ou seja, mesmo querendo ser um bom marceneiro, não está nesse ofício a minha aptidão. Posso tentar nivelar um piso, mas um pedreiro me ultrapassa nisso com uma mão atada atrás das costas. O que quero dizer é que, como um verdadeiro corpo, cada um de nós terá seu papel no Reino que virá. Não importa, contudo, quanta boa vontade você tenha, algumas coisas precisarão ser feitas por órgãos específicos desse corpo, órgãos estes que podem ser escassos no futuro. Imagino que a Terra estará caótica no início do Milênio, e o mundo inteiro precisará ser reconstruído e restaurado. Precisaremos de profissionais como engenheiros, arquitetos, médicos, fisioterapeutas, economistas, entre muitos outros tipos, que, inspirados por sua vocação e pelo amor a Deus, farão do mundo o lugar mais bonito possível (em todos os sentidos), para agradar a seu Soberano Rei. Se você acha que a qualificação é dispensável quando se tem fé, pense no seguinte: o povo de Deus foi guiado no deserto por um profissional de educação egípcia (a Harvard da época); Deus escolheu a dedo os profissionais que construiriam o tabernáculo; a maior parte do Novo Testamento foi escrita por um discípulo de Gamaliel. A bíblia diz que a fé remove montanhas, mas não que construiria casa aos desabrigados, por exemplo. Se houver a confirmação do pensamento de C.S. Lewis, que diz que “Deus não fará nada que possa ser feito por uma de suas criaturas”, então o departamento de recrutamento do céu estará a todo vapor nesta época.

Uma última coisa e me despeço. Quando falamos de um assunto como o Reino Milenar, cujo entendimento bíblico sistemático é bastante limitado, certamente corremos o risco de não vermos o quadro todo, incorrendo em erro, na concepção de alguns. Todavia o objetivo desse texto não é só acertar, mas sim despertar nossos pensamentos para estas coisas. Assim, poderemos, coletivamente, ter maior clareza do tempo que virá e de nosso papel nele.

Com a colaboração de Pedro Arruda e Pedro Daniel Arruda.

  • João B Santos

    Lendo o texto, percebi que não sei nada sobre o milênio, nem mesmo tenho pensado nessa questão. O texto foi muito bom para reflexão como disse o autor. Vou procurar saber mais sobre esse fato bíblico e conhecer mais interpretações.

  • Dinaldo Simões

    As coisas do Reino Milenar mim encanta, pois só Cristo e somente Cristo fará essas coisas acontecerem conforme seu eterno propósito.

    Dinaldo Simões