Evangelistas, despertem! Tragam-nos filhos, senão morreremos

Por:Carlos Augusto da Silva Data: 12/07/2011

Ultimamente, depois de observar algumas pessoas que apenas aparentemente fazem parte da igreja (como poderiam, se ainda não experimentaram o novo nascimento?), tenho sido despertado a falar, orar e até pregar àqueles que, embora com chamado de evangelista na casa do Senhor, não têm cumprido bem seu ministério. Esta reflexão, portanto, é dirigida a você, evangelista.

Em Gênesis 30.1, temos a súplica: “Dá-me filhos, senão morrerei”. Foi Raquel, esposa de Jacó, quem a pronunciou, numa atitude de desespero, em virtude de sua esterilidade para a concepção. Podemos imaginar que seus dias eram vazios e destituídos da alegria que um filho traz para uma casa. Mas Deus ouviu sua oração e a agraciou com dois filhos, um deles José, que recebeu de Deus a graça da administração e pôde salvar toda sua parentela de morrer de fome ao se tornar governador do Egito.

Uma família sem crianças (depois que estas já cresceram) é uma família velha, daí a importância da renovação com a chegada dos netos. Uma igreja sem novos convertidos é uma igreja velha, que fica dando valor para questões menores e sem importância.

Em Oséias 11.1 e 4, temos: “Quando Israel era menino, eu o amei e do Egito chamei o meu filho. (…) Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo…”. Podemos perceber, aqui, os fundamentos do Reino de Deus para os novos convertidos: o próprio Deus revela-lhes seu amor, depois de os chamar de um contexto de grande afastamento, e usa para isso o entrelaçamento humano – “cordas”, ou seja, o envolvimento dos evangelistas no resgate desses que agora estão se achegando e que de Deus receberão alívio do jugo (o que Jesus reforça em Mt 11.28-29).

O que os evangelistas devem anunciar quando são comissionados?

Quando Jesus estabeleceu sua primeira comitiva e enviou seus componentes de dois em dois, a ênfase era anunciar o Reino dos Céus (Mt 10.1-12). Em outros textos bíblicos – Mc 16.15-16, Mt 28.19-20, Lc 24.47-48 – encontramos as ordenanças de ir e pregar o evangelho a todas as pessoas (as boas novas do Reino), fazer discípulos e ensiná-los a guardar os ensinamentos e pregar o arrependimento para o perdão dos pecados.

Sabemos que após o anúncio do Reino, aconteceram os sinais e maravilhas, logo a graça desta manifestação está com o evangelista; ele é separado para o anúncio da Palavra e manifestação dos sinais e maravilhas, daí a importância do revestimento de poder do Espírito Santo para executar bem seu ministério.

Como devemos ir nesta comissão?

Ao sermos enviados, devemos ser revestidos de poder (Atos 1.8). Esta é uma obra do Espírito Santo, só ele pode convencer o homem do pecado e do juízo, portanto precisamos estar cheios de poder para sermos tão-somente instrumentos em sua ação.

Paulo escreve, em Efésios 4.11-13, que Cristo, “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”, deu dons para a igreja: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.

O evangelista tem papel importante na formação do edifício: é ele quem traz o novo tijolo para a construção e promove o aumento da igreja, por isso precisa trabalhar no seu papel. Ele é um dos cinco “homens-dom” que precisam atuar até que cheguemos à unidade da fé e ao pleno conhecimento do Filho de Deus.

Filipe, o evangelista

Em João 12.20-21, alguns gregos queriam ver Jesus e recorreram a Filipe. Temos, aqui, em figura, o papel que caberia a este discípulo desempenhar: apresentar pessoas a Cristo.

Em Atos 8.4-8, Filipe está pregando em Samaria. Neste momento, ele fala para muitos. Já em Atos 8.26-40, é levado a pregar para uma única pessoa, o etíope eunuco. Esses dois contextos diferentes ensinam a seguinte lição: o evangelista cumprirá seu papel em diversos momentos e situações. Quem o prepara e guia é o Espírito Santo.

Fato recorrente no ministério de Filipe eram os sinais e maravilhas que se seguiam ao anúncio da Palavra. Tais manifestações do poder de Deus faziam parte de sua atuação como evangelista, e isso é o que Deus quer fazer nestes dias.

Sabemos que TODOS devem evangelizar, principalmente no dia a dia, porém Deus agraciou alguns com uma “dose” maior de graça para isto.

Uma leitura de incentivo

Aproveito para indicar um livro, que uma amiga, a Bete Coltri, recomenda a todos os que querem resgatar o chamado de Deus para serem evangelistas: “O segundo grande mandamento”, de William M. Fletcher (Ed. Vida). Segundo o autor, evangelizar é uma missão confiada a cada discípulo de Cristo. Trata-se de um chamamento individual que se fundirá no coletivo, formando assim a igreja. Fletcher apresenta a tarefa de evangelizar por meio da seguinte figura: um mendigo contando a outro mendigo onde encontrar o pão. Neste livro, o processo de evangelização é abordado de forma enfática, em relação com o cotidiano de cada pessoa, destacando principalmente o amor que devemos ter pelo nosso próximo. Sua proposta é de que anunciemos as boas novas do Reino sob a condição de necessitados que encontraram o sustento e desejam ardentemente que seus amigos, vizinhos e familiares também o encontrem.

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