O objetivo deste artigo está em buscar reconhecer quais as coisas (materiais ou não) que o impedem de caminhar mais livremente e com maior satisfação, o que pode facilitar sua caminhada pela segunda milha. Textos Básicos: Filipenses 4:11 e Hebreus 13:5
A simplicidade voluntária tem sido um tema amplamente tratado dentro e fora do meio cristão. Sua base consiste no despojamento de tudo aquilo que tão insidiosamente a mídia tem lançado sobre a mente das pessoas querendo transformá-las em consumistas compulsivas. Isto se manifesta em várias áreas, desde o slogan de servir à moda (usar sempre o que ela dita) até coisas que absorvemos como sendo lícitas e até obrigação. Um exemplo muito claro está nas datas comemorativas como: natal , páscoa, dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, dia dos namorados, dias, dias, dias… enfim, a publicidade persuade-nos a cumprir um calendário de despesas que ela mesma impõe como necessárias e nós as cumprimos religiosamente, como se a fonte que indica estas datas estivesse preocupada com os que nelas estão envolvidos.
Só para pensar, se a televisão estivesse tão preocupada com as mães (e é isso o que aparece nas semanas que antecedem o dia das mães), ela não veicularia novelas que incentivam descaradamente o divórcio e a desintegração dos lares!!! Se o natal fosse genuinamente importante, as mensagens de salvação seriam proclamadas com ênfase, mas ao contrário, a televisão e a mídia em geral oferecem um evangelho falsificado, além do que, incentivam práticas claramente destoantes dos ensinos de Jesus. Entretanto, pega carona na Bíblia e anuncia que estamos no mês do natal, mês do nascimento de Jesus, e… e… DÊ PRESENTES!!! Quem é que está por trás disso? É o Espírito que envolveu Maria e trouxe o menino da manjedoura ao mundo?? NÃO! O espírito que está por trás disso é o espírito das trevas – o demônio que precisa ser expulso, não do meio dos incrédulos, mas principalmente do meio cristão! Muitos são os irmãos que não conseguem perceber seus ardis, entram em dívidas e têm um início de ano contrário ao conselho de Paulo que diz: NÃO DEVAIS NADA A NINGUÉM. Começam o ano com vários cartões de natal, e um ou vários cartões de crédito. Mas a Palavra adverte: “Não vos ponhais em jugo desigual”. Geralmente esse é um versículo usado para as relações entre futuros cônjuges, mas agora faço uma reflexão voltada para o casamento da Igreja com o Mundo, da Igreja com a Mídia que diz: Para ser feliz você tem que ter, tem que comprar!
Além dessas reflexões, há outras inúmeras que poderiam ser feitas. Não é só o consumo em datas especiais que pode estar prendendo-o, pode ser que sutilmente algumas outras “necessidades desnecessárias” estejam imperando em sua vida. Quais seriam elas? Reflita!
Muitas são as exigências assumidas pela população em geral que acabam “roubando” nosso tempo. E por incrível que pareça, há um consumismo do tempo! Esse consumismo é muito sutil e fica diluído em exigências muito amplas. Você tem que ver tal filme, você tem que ir a tal mercado novo, você tem que trabalhar, etc. Quando pensamos sobre esse consumo, ficamos um pouco duvidosos. Afinal, estas coisas que constam no exemplo não são necessárias?! Trabalhar não é necessário?! Isto a Bíblia mesmo responde: “Há tempo para todas as coisas” (Eclesiastes 3). É nisso que está a libertação ou a prisão, a salvação ou a condenação! Por exemplo, se uma pessoa não trabalha, não realiza nenhuma atividade que a faça sentir contribuinte, isso pode levá-la não só a passar necessidades, como a ter um sentimento de inutilidade. Mas hoje muitas pessoas se perdem por não terem tempo, já que trabalham em três horários para cobrirem uma conta que está estourada e, pior ainda, não porque ganham insuficientemente, mas porque gastam desnecessariamente.
Um outro ladrão de tempo é aquele instalado como rei nas salas das casas. Seu nome é televisão ou caixote falante, para os íntimos. Ele faz parte de uma máfia que quer roubá-lo de muitas, muitas maneiras: seu tempo, sua família, seu bolso (torná-lo um consumista compulsivo) e, sem dúvidas, roubar sua fé (não repentinamente, mas aos poucos, como a rã que não percebe que está sendo cozida porque foi posta na panela quando a água ainda estava fria, mas esta água foi sendo aquecida e quando ela menos percebe já está cozida e para morrer). Sobre este rei das nossas salas, a Dna. Elza me falou uma vez: “A televisão é como uma lata grande. No fundo desta lata tem um bom pedaço de carne. Só que esta lata está repleta, transbordando até a boca de sujeira, e para você pegar o bom pedaço de carne, necessariamente você se sujará todo!” (palavras sábias, heim!).
Todos os dias são lançados no mercado inúmeros produtos que se diferenciam por detalhes irrelevantes, mas que prometem MILAGRES pela novidade. O que esses produtos buscam? Pessoas insatisfeitas com a sua vida e que buscam em “coisas” novas, algo que as preencham. Quando falamos isto, podemos pensar que o alvo é o público não cristão, que por ainda não conhecer Jesus pensam que há outra fonte de alegria e paz. Isso é um engano! Há muitos cristãos fazendo corrente de prosperidade, não porque passam fome, mas porque querem um carro de modelo novo, como se o carro fosse a cama que ele dorme e não um veículo de transporte. Buscam tanto conforto como se fossem morar dentro do veículo. Com isso, o ladrão do consumismo rouba-lhes a paz e o tempo, já que terão de trabalhar duplamente para conseguir o seu “sonho de consumo”. Mas há coisas menores e também mais sutis: o detergente que tira a mancha que sua roupa nunca terá; o liquidificador que tem 10 velocidades, mas que você só usará 3; a máquina de lavar roupa que traz uma novidade sem igual, lava dos dois lados; e um rol de besteiras que “enfeitiça” os pobres corações prometendo tornar-lhes ricos.
O Consumo De Relacionamentos
Se falar em consumo de tempo é difícil, este talvez exceda. Como os relacionamentos seriam parte do slogan do consumo? Já no tempo de Jesus, a tendência era para a projeção pessoal em grande escala. Você deveria ser conhecido por muitos (senão por todos), e mais, ser conhecido e RECONHECIDO pelo maior número de pessoas. Hoje não é diferente, o pregão da mídia diz que você deve marcar presença, “fazer a diferença”, mostrar sua cara.
O que questionamos não é o relacionamento, mas a superficialidade e a motivação dos relacionamentos. Jesus certa vez disse que, se déssemos uma festa, não deveríamos convidar os ilustres pois estes poderiam retribuir-nos, mas deveríamos estabelecer relacionamento com aqueles que precisam de relacionamento e estão marginalizados. Eu fico desconfiado desse marketing que fala de números em detrimento de qualidade! Não é incomum você conviver anos com uma pessoa e não saber coisas simples sobre seus gostos, suas expectativas, sua família… Portanto, sejamos aquele amigo “mais chegado que um irmão”, construamos relacionamentos pautados pela profundidade e não pela superficialidade.
Esse consumo só você conhece, ou talvez você o viva, mas nunca se deu conta dele. É o consumo que se alojou em sua vida para roubar sua qualidade de vida. Com falsas promessas, você talvez tenha vivido uma vida que é mais quantitativa do que qualitativa. Não nos iludamos, às vezes as coisas mais simples podem ser mais prazerosas. Mais vale uma refeição simples com paz, do que uma mesa farta com ansiedade. Imagine dois homens, o primeiro tem em sua mesa de café da manhã as seguintes coisas: requeijão, pão francês, pão de fôrma, suco de laranja, café, leite, bolo, queijo, melão , mamão e chá (faltou algum item? Pode acrescentar por conta). Há também um segundo homem que tem um café mais simples: pão, leite, café. Qual terá um melhor café da manhã? SURPRESA!!!
O primeiro homem foi dormir muito tarde, pois chegou de uma reunião de negócios que se estendeu até às 23:00h, acordou ainda de madrugada, pois tinha que entregar uma planilha ao seu diretor e, após tomar uma ducha para tentar acordar, passou correndo pela cozinha e tomou uma xícara de chá quando ainda tentava fechar as calças (estava em cima da hora) e juntava um pedaço de pão na alça da pasta de serviço. Já o segundo homem, seu trabalho embora de menor projeção social, nunca lhe rendeu horários extras, ao final do dia estava em casa podendo conversar com sua família antes de dormir um sono restaurador. Ao acordar, sua mesa não apresentava todos os famosos itens de um “bom” café da manhã, mas, em compensação, ele mesmo pôde coar o café e apreciar o perfume que exalava do coador de pano. Pronto o café, pôde olhar para o filho que ainda dormia e chamar a esposa que, embora boa cozinheira, dava-se ao luxo de saborear o café especial do marido. Juntos, numa manhã de paz, oraram e louvaram a Deus pelo café (pelas mãos que o plantaram, pela chuva que o regou, pelo motorista que o trouxe até a venda do Seu Zé), pelo pão (pediram ainda a bênção sobre o João da padaria que estava preocupado com seu filho que estava fora de casa), e pela margarina (que embora não fosse da melhor marca, vinha enriquecer seus corações naquela manhã chuvosa). O segundo homem então se despede da mulher, toma o ônibus, olha pela janela do coletivo, vê uma paineira em flor e no seu coração ora: “Senhor, cheia está a terra das suas maravilhas”!
O Senhor nos abençoe e nos guarde.