Removendo Barreiras

Por: Paulo Silva Data: 1/12/2009
Removendo Barreiras

Nestes dias, a meditação sobre evangelismo tem me levado a Jo 11, à ressurreição de Lázaro. Este texto é marcado por uma seqüência de episódios necessários para geração de vida, regada por uma dose maravilhosa de amor bilateral.

Começamos com o versículo 3 – “ … aquele a quem tu amas esta doente”. As irmãs de Lázaro, preocupadas com a saúde de seu irmão, enviam a mensagem a Jesus com dois objetivos explícitos: informar que o amado de Jesus estava doente e esperar dele a cura do mal de seu irmão, o qual elas amavam.

O mundo ao qual Deus ama (Jo 3: 16) está enfermo com doença de morte. Prostituição, violência, drogas, fome e falsos ensinamentos, estão levando milhares de pessoas ao distanciamento cada vez maior de Deus. Muitas vezes assistimos a tudo isso como espectadores de filme cujo  final não pode ser mudado.

Alguém precisa clamar ao Pai para que socorra estes aos quais ele ama. A única alavanca que pode nos mover deste estado de apatia e levantar um clamor por estes é o amor, simplesmente o amor. Amar é compadecer de suas dores, enxergá-los como membros moribundos de nossa família que precisam urgentemente ser trazidos à vida.

Pode ser que esta resposta demore um pouco – “… Jesus demorou ainda dois dias no local em que  estava”- porem esta é uma escolha de Deus, realizar seu propósito depositado em nossos corações no tempo que lhe for conveniente. Nesse trecho podemos concluir que o melhor momento para responder às nossas orações é o Pai quem sabe, ainda que aos nossos olhos pareça que tudo esteja perdido.

Outra questão que sempre me intriga é que o momento em que mais evangelizamos em nossas vidas é quando somos neófitos. Quando temos mais conhecimento, mais argumentos, menos disposição há em nós para cumprir a missão de proclamadores das boas novas.  Ficamos cauterizados ao ensinamento avivador de Cristo, em razão de nossas lógicas teológicas – “…eu sei que ele ressuscitará no último dia”.

Depois Jesus pergunta onde está o morto e chegando no local solicita que a pedra seja removida. É preciso, ainda que suas esperanças tenham findado, que o Cristo seja levado ao local onde estão nossos irmãos mortos e as pedras da lógica teológica, da incredulidade, da falta de esperança sejam removidas. A teologia em si mesma nos leva a uma vida de separação do pecador e não do pecado: – “…já cheira mal”. É preciso nos expor, apesar dos riscos de segurança, saúde ou prestígio que criamos.

Quando esta aproximação sem preconceitos ocorre, a palavra ressuscitadora de Cristo passa a ter livre curso, realizando o propósito principal da existência da igreja – “Lázaro, venha para fora” (igreja, do grego EKKLESIA, significa chamado para fora).

É interessante ver que o milagre da nova vida não trouxe a completa liberdade a Lázaro – “desatai-o e deixai-o ir”. Novamente somos feitos participantes do plano transformador de Deus, onde o recém convertido carrega em si ainda uma série de ataduras da vida antiga, as quais impedirão que ele caminhe, enxergue ou fale livremente. Somente os que derrubaram os muros da separação, poderão amparar os novos irmãos e ajudá-los a se livrarem de suas amarras para poderem livremente caminhar com Jesus.

Resumindo, Deus está esperando que os clamores genuínos, movidos por amor, cheguem a sua presença. Temos que também lançar por terra os limites que nos separam dos amados de Deus, para podermos ajudá-los a caminhar no mar da vida de Cristo.

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