Eu e minha Casa Serviremos ao Senhor

A família é o alvo principal de Deus. Antes mesmo que surgisse a primeira família na face da terra, a Trindade já existia como família. Ao dizer: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”, a Trindade conferenciava sobre criar uma família à semelhança da celestial a fim de ensiná-la sobre os princípios que regem a família eterna: o da comunhão e do amor. As famílias precisam existir sobre esses dois fundamentos que são a essência do relacionamento entre Deus, o Pai, Deus, o Filho e Deus, o Espírito Santo.

Satanás, o adversário das famílias, tendo falhado em destruir a descendência da mulher que traria ao mundo o filho de Deus, não descansará tramando subverter a ordem dentro dos lares. Quando os hebreus eram oprimidos no Egito, após a sétima praga, da chuva de pedras, Faraó quis fazer um acordo espúrio com Moisés: que apenas os homens fossem oferecer sacrifícios ao Senhor no deserto e que deixassem mulheres e filhos. Como resultado, Deus enviou os gafanhotos. Deus queria que não somente os homens, mas todos os seus familiares fossem servi-lo. Em outras palavras, não somente eu, mas eu e minha casa devemos servir ao Senhor. Paulo nos adverte: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”(I Tm 5:8). O sacerdote Eli viu a glória de Israel desvanecer-se porque não corrigiu com energia os seus filhos néscios. Por não ter cuidado dos seus, teve sua casa amaldiçoada, perdeu os dois filhos num único dia e morreu com a péssima notícia do roubo da arca da aliança.

Jesus reconheceu tanto a importância de a família ter a casa arrumada que, diante do  pedido do gadareno para segui-lo, apresentou terminante recusa: “Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti” (Lc 8:39). Jesus queria que o gadareno fosse reintegrado à sociedade por meio da família, ele que vivera sozinho por longos anos. Era-lhe necessário acertar os relacionamentos, aprender a viver num lar, receber amor dos seus e evangelizá-los. Só então poderia seguir a Jesus (servir à obra).

Deus também sempre quis manifestar-se como o Deus da família. Ele se apresentou por diversas vezes como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. A Isaque ele dizia ser o Deus de Abraão, seu pai. A Jacó, dizia ser o Deus de seu pai Isaque e de seu avô Abraão, num convite para que o descendente andasse nos caminhos de sua família, sempre levando em conta o relacionamento, ou seja, a Jacó, Deus convidava para um relacionamento como o fora aquele que tivera com seu pai e avô. Depois do episódio em que Abraão ofereceu seu único filho, a Bíblia passa a chamar Deus de “o temor de Isaque”. Aquela cena, aquela obediência ficaram gravadas na mente de Isaque para sempre. Ele sabia que seu pai temia a Deus. Hoje, infelizmente há uma crise nas famílias quando se trata do pai passar o bastão para o filho, justamente porque o filho observa incoerência entre o discurso e a prática espiritual do pai.  Paulo lembrava-se da fé de Timóteo que primeiramente habitou em sua avó Lóide e depois em sua mãe Eunice (II Tm 1:4). Lóide e Eunice guardaram o precioso depósito até que chegasse àquele que foi grande ajudador do ministério de Paulo.

Deus tem uma expectativa de unidade quanto ao comportamento das famílias, tanto que um ato pecaminoso como o de Acã fez amaldiçoar todos os seus, alcançando todos os da sua tenda (foram apedrejados e, em seguida, queimados – Js 7).  As conseqüências do pecado de Acã não somente transbordaram para sua família, mas também para toda a família de Israel que sofreu humilhante derrota diante dos habitantes de Ai. Igualmente a maldição chegou às famílias de Coré, Datã e Abirão, quando estes três questionaram a autoridade de Moisés e Arão: desceram vivos ao abismo (Nm 16). Mas Deus também aproveita a conversão de um membro de uma família como uma porta aberta para conduzir todos os outros membros. Não foi esta a proposta que Paulo fez ao carcereiro de Filipos: “crê no senhor Jesus e serás salvo tu e tua casa”?  (At 16:31).

Jesus quando ensinou o “Pai nosso” deixou claro a ênfase familiar de tal oração e, com isso, propôs uma disciplina familiar para uma espiritualidade verdadeira. Em primeiro lugar, menciona “Pai nosso”, introduzindo a figura do Pai como o Ser que fundamenta a família. A família diz “Pai nosso” para que a oração não seja um mantra ou um exercício egoísta, mas faz um convite a Deus para que Ele nos ensine a ser família. Temos, portanto, um Pai que vive eternamente em família e, sem Ele, não perdura a idéia de família. Em segundo lugar, Jesus menciona o pão, fazendo lembradas duas coisas: os desdobramentos diários para obtê-lo e a mesa que protagoniza a união dos fraternos, já que em volta dela seus membros têm a vocação de sentarem-se uns de frente para os outros, olhando-se, amando-se, servindo-se debaixo da benção do Pai nosso. Em terceiro lugar, aparece a contradição: as dívidas. Jesus sabe que toda família tem roupa suja para lavar; todo pai tem um filho para repreender; todo filho tem um pai que se excedeu na repreensão. Há muita dívida para se quitar. E Jesus ensina o remédio que uns devem ministrar aos outros: o perdão.

A família de Deus passeava com Adão na viração do dia para ensiná-lo sobre o ser família. A conversão das famílias consangüíneas (dos pais para os filhos e dos filhos para os pais) fará transbordar uma onda de amor e unidade que converterá outras famílias e fortalecerá os laços na Igreja, para que esta faça aproximar uma outra família dispersa: a dos filhos de Israel e sejamos todos introduzidos na família da Trindade.

O desafio está lançado. Profetize sem medo: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”. Deus terá prazer em realizar este querer em sua vida.

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