Essa frase, ouvida após ser apresentada a conta de consumo, na maioria das vezes, é motivada mais pela educação do que pela disponibilidade financeira da pessoa. Ao contrário, a mesma frase motiva uma atitude de omissão em alguns quando a ouvem e se fazem de desentendidos, querendo crer na abundância do outro.
O fato é que alguém sempre paga a conta. Isso é com todas as coisas. Compartilhar a conta, além de ser um gesto de educação, é também compromisso. Quando se refere às coisas espirituais, trata-se de compromisso espiritual, é aliança. O que é espiritual é de Deus, logo isso é um balizador da minha aliança que tenho com Deus, a qual se concretiza junto com meus irmãos.
Quando se fala de finanças é muito comum vermos esse assunto sendo tratado com muito desequilíbrio. De um lado, há tanta sede em arrecadar e fazer coisas grandes que a igreja mergulha no capitalismo. De outro lado, há também uma grande omissão e até uma vergonha de falar sobre isso. Parece que muitos têm receio de serem mal interpretados e se omitem tanto para contribuir como para pedir a contribuição. Para não contribuir, há o argumento teológico muito usado de que o Novo Testamento não fala de dízimo, que é coisa da lei. Isso é fato, mas parece que também, no Novo Testamento, especialmente no livro de Atos dos Apóstolos, vemos que não se falava sobre dízimo porque era totalmente desnecessário, pois a prática da graça daqueles cristãos superava a lei. Eles davam tudo - (At.4:32). Portanto, ensinar sobre dízimo somente teria sentido se o objetivo fosse o de reduzir a contribuição daqueles irmãos.
Por estarmos na prática da graça, talvez o mais adequado fosse falar em contribuição regular sem se estabelecer um percentual, mas que refletisse um compromisso em atender os projetos comuns e as despesas contraídas em benefício de todos, objetivando o reino de Deus. Sem dúvida alguma, Deus está interessado muito mais no coração do contribuinte do que no valor da contribuição. A pequena oferta da viúva pobre valeu mais do que a grande oferta de Ananias e Safira (Mc.12:41-44; At.5:1-10). Ela deu sem reter para si, num gesto de total confiança em Deus. O casal em questão, além de reter parte para si, fingiu confiar em Deus para estar no agrado das pessoas. Às vezes, é mais difícil humilhar nosso coração dando uma pequena oferta e sentindo que estamos muito aquém do que poderíamos contribuir, do que contribuir rigorosamente de acordo com o estabelecido para que não tenhamos do que ser acusados, tanto pelo nosso coração como pelo suposto juízo de um irmão.
Pelo valor, em si, parece até que Deus tem um desprezo. É até irônico pensar que o tesoureiro da equipe de Jesus fosse um ladrão (Jo. 12:4-6). Nossa contribuição não faz Deus mais rico ou mais pobre, pois Ele é dono de tudo. Na verdade, nos equivocamos quando achamos que parte do que temos, a nós pertence absolutamente e, que o dinheiro que é gasto sendo dado diretamente à causa do reino de Deus é mais santo do aquele que é gasto para suprir a minha casa ou para tomar um lanche com a família. Tudo o que faço, com tudo o que tenho deve ter o exclusivo objetivo de glorificar a Deus, que está interessado no coração do contribuinte e não no valor de sua contribuição.
Para concluir, algumas perguntas para nossa reflexão: como me sinto quando contribuo, alegre ou constrangido? Como acho que Deus se sente ao receber a minha contribuição, alegre ou constrangido como se estivesse extorquindo-me? Ao contribuir, sinto-me como um feliz voluntário ou como uma vítima indefesa e sem alternativa? A ação de contribuir deve causar alegria e não constrangimento ao contribuinte, à comunidade e a Deus (II Cor. 9:7, Fl. 4:4). E então, como está nossa educação e nosso compromisso? Vamos deixar que o outro continue pagando a conta sozinho?