Em Colossenses 1:27, Paulo nos fala da revelação dada por Deus aos apóstolos sobre o mistério que esteve oculto em Deus desde o pecado, e assim se manteve até que fosse possível a compreensão e manifestação dele ao mundo. O mistério não era o Deus Todo Poderoso encarnar, viver, morrer e ressuscitar, mas sim o Espírito deste Deus-Homem habitar no homem. Não metaforicamente, mas em realidade.
Entramos assim neste ministério: o ministério do Espírito Santo. Jesus cumpriu o plano do Pai e aguarda a hora em que “todas as coisas lhe estejam sujeitas e Ele mesmo se sujeite ao Pai, para que Deus seja tudo em todos” (I Co 15:24-28). Isto acontecerá quando “vier o fim”. Até lá, muitas coisas devem acontecer no mundo e na Igreja, e o Espírito Santo atua nestes dias para que Deus cumpra Seu plano.
Nos caps. 2 e 3 de Colossenses, lemos que as aparências não são o mais importante. O que importa é transformação de vida: “como pois recebestes o Senhor Jesus, andai nele…, e estais perfeitos nele”; mudança dos nossos objetivos: “buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está, pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”; e uma nova visão: “Quando Cristo, que é a vossa vida se manifestar, vós vos manifestareis com ele em glória.”
Paulo escreve aos Romanos também sobre este mistério e fala mais claramente que Cristo em nós é o ministério do Espírito. No cap. 8 mostra-nos que estar no Espírito e estar em Cristo é uma coisa só. E é também a única forma de termos nossa natureza transformada: “os que são segundo o Espírito inclinam-se para as coisas do espírito”, e alcançarmos outra visão: “As aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.”
A partir do momento em que o Espírito habita em nós, somos templos onde Deus habita e deve ser cultuado. Infelizmente hoje na igreja, fala-se muito do que é aparente e pouco essencial. As mudanças nas roupas, no vocabulário, na música que se ouve e nos lugares que se freqüenta, só terão significado se vierem como conseqüência de uma mudança mais profunda, que acontece nas nossas estruturas podres e caídas, e não apenas na fachada, ou seja, é preciso mais que uma mudança cosmética.
Podemos fazer muitas coisas com este templo do Espírito. Uma visão dada por Deus a Ezequiel quanto à profanação do templo onde os judeus deveriam adorá-lO e que um dia Ele encheu com Sua glória, nos ajuda a avaliar a nossa própria condição. Ez 8:5-18 nos mostra que, logo na entrada para o altar, estava colocada uma imagem de outro deus, uma imagem que provoca ciúmes, “para que me afaste do meu Santuário” e mais internamente, numa câmara secreta, os principais de Israel cultuavam imagens de animais e outros ídolos, “o que fazem nas trevas, cada um nas suas câmaras pintadas de imagem, pois dizem: ‘O Senhor não nos vê’.” As palavras desta visão deixam transparecer a tristeza do Senhor porque Seu povo queria substituí-lo. Como se sente uma pessoas traída, trocada? Talvez a proporção da dor seja a mesma que a do amor que se sente. Quão grande será o sofrimento de Deus.
Qual será o sofrimento do Senhor hoje conosco, quando vê o nosso interior semelhante à visão de Ezequiel, onde com pensamentos, sentimentos e objetivos no mais profundo de “nossas câmaras” escolhemos outros deuses e pensamos “o Senhor não sabe”.
Mas Ezequiel continua com suas visões e Deus pede para que ele fale contra os profetas que profetizam “Paz! Há paz!” Como pode existir paz na situação que Israel se encontrava? Não, não havia paz. Havia guerra, dominação e escravidão. E Deus falava contra aqueles que construíam paredes fracas e as cobriam para disfarçar, dizendo que viria destruir as paredes e também quem as construía (Ez 13:10-16).
Será que podemos dizer hoje “paz, tudo está bem, estamos em festa, vivemos um avivamento!”? Músicas Gospel vendendo como nunca e ganhando notoriedade no meio fonográfico. Artistas e atletas falando na mídia sobre a nova fé e antes de esquentarem os bancos já estão ganhando os púlpitos. Há festa, prosperidade, dança, teatro, missões. Igrejas crescendo e adesivos bem humorados em muitos carros na rua. Além disso, o marketing de muitas igrejas, tentando provar o quanto ela é melhor que outras, principalmente no que diz respeito à proporção em que seus membros são mais “abençoados” com prosperidade financeira ou sendo curados de suas doenças.
E nossas estruturas interiores, como estão? A quem cultuamos em secreto? E quanto aos nossos objetivos: será que pensamos como Paulo quanto ao nosso fututro, tendo uma visão da glória? Ou o que esperamos de Deus é que Ele torne a nossa vida aqui na terra a mais prazerosa e confortável possível? Todas as nossas paixões mais profundas nos levam a querer conforto e prazer, e isto é tão normal quanto respirar, e não terá nenhum problema, desde que tenhamos uma paixão ainda maior por encontrar e servir a Deus.
“Temos um compromisso maior em fazer com que nossa vida dê certo agora, do que encontrar Deus e viver por uma esperança futura. Só nos dirigimos a Deus para usá-lo para melhorar nossa vida atual…Até que estejamos buscando a Deus com mais afinco do que nos empenharmos pela nossa casa nova, pela aprovação dos pais, por ter filhos que nos encham de orgulho, este mundo nos cabe bem. Conformamo-nos com seus valores. Nossa cidadania é aqui” (Larry Crabb)
Cristo em nós muda nossa visão sobre o que esperamos de Deus, sobre a que reino pertencemos e quem é o nosso rei. A palavra de Deus é clara quando diz “lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade pois Ele tem cuidado de vós” (I Pe 5:7). Isto é verdadeiro e inquestionável. Ele tem cuidado de nós como todo amor e carinho. Mas Ele não cuida da maneira como queremos que cuide, mas da maneira que, em Sua imensa bondade, Ele quer cuidar. Ele tem cuidado de nós quando temos excelentes empregos, ou nem sempre tão bons, ou estamos desempregados. Ele tem cuidado de nós quando somos curados e quando permanecemos doentes.
Quando somos amados, elogiados, encorajados e quando somos traídos, magoados, humilhados. Quando nossos pais são um modelo do Pai celestial, e quando nos abandonam, ou são alcoólatras ou não nos apóiam. Quando nossos filhos são educados e tementes a Deus e quando são rebeldes e não nos honram. Ele tem cuidado de nós quando temos um(a) namorado(a) maravilhoso(a) e quando a possibilidade de isto acontecer parece cada vez mais remota. Ele tem cuidado de nós quando nossos maridos morrem quando ainda tantos sonhos e planos deveriam realizar-se, deixando somente uma sensação de insegurança em relação ao futuro, e tem cuidado de nós quando perdemos o nosso pai ainda na adolescência e sentimos tristeza ao saber que não estará ao nosso lado em momentos importantes da nossa vida.
O Senhor tem cuidado de nós sempre, independente do que nos aconteça. Deus não é apenas soberano. Deus é bom. Duvidar da Sua bondade pode ser nosso maior problema e nosso maior pecado. Se não acreditamos em sua bondade, vamos lutar com nossos próprios recursos para que tenhamos prazer e conforto. Vamos estar tão comprometidos em fazer que a vida dê certo, agradecendo a Deus pela comida do dia e por uma vaga num estacionamento lotado, e não vamos confiar a Ele coisas realmente importantes da nossa vida, querendo nós mesmos cuidar disso. E, finalmente, não vamos abrir mão do nosso “pedacinho de chão” aqui na terra em troca das mansões celestiais nos céus.
Este é o mistério: Cristo em nós, vidas transformadas, esperança da glória, ideais transformados.