Dias destes chegou-me às mãos um livro de Marketing, intitulado “Sun Tzu e a arte dos negócios”, de Mark McNeilly, que de uma forma muito original, interpreta o clássico da guerra de Sun Tzu à luz dos negócios modernos.
Sun Tzu escreveu seus ensinamentos a mais de 2.000 anos, sem a mínima preocupação em especular com dólares ou investir nos papéis que rolam por Wall Street. Não havia qualquer intenção de agradar os acionistas ou desenvolver um composto de Marketing diferenciado, sua preocupação voltava-se totalmente à arte da guerra, de como conseguir uma vantagem que pudesse ser sustentada! Preocupou-se em canalizar o ímpeto belicoso das pessoas em direção ao outro, num dado momento considerado como inimigo.
O grande feito de McNeilly é relacionar os princípios de Sun Tzu com o atual momento dos negócios que é vivido pela humanidade: uma concorrência feroz a cada instante, seja por uma parcela do mercado, ou por um ponto percentual nas estatísticas de vendas; o medo atroz de fechar as portas em meio à crise; a guerra titânica pela hegemonia do mercado desencadeada pelas grandes marcas globais, etc.
Este momento na verdade, reflete o próprio espírito do mundo, o espírito do presente século, onde as coisas raramente são solucionadas sem o advento da guerra, da destruição do outro, seja física ou moral. Espírito este que está alinhado com a incrível propensão do ser humano ao confronto ou tudo aquilo que diga respeito à oposição destruidora. Em todas as áreas da vida existe uma analogia relacionada à guerra, desde o provinciano “matar um leão a cada dia” ao best seller de All Ries, “Marketing de Guerra.” A todo momento estamos associando nossa existência com o fenômeno da guerra.
Mas esta situação não é um privilégio de nós que vivemos nestes derradeiros dias, nem foi Sun Tzu, o grande articulador das estratégias de guerra (diga-se de passagem que Von Clausewitz também notabilizou-se no século passado por seu tratado “Der Krieg”, traduzido para o português por “Da Guerra”, e que permanece até hoje como uma referência imprescindível ao assunto), essa é uma história muito antiga que se iniciou com o primeiro inimigo de que se tem notícia, o primeiro ser belicoso da criação de Deus: Lúcifer.
Certamente Deus não elaborou sua obra de forma perfeita para depois se degladiar com ela, antes, fê-la com perfeição e harmonia para seu deleite e comunhão plena. Um ato de revolta de seu mais ilustre anjo, um atentado à sua própria glória, trouxe o desequilíbrio à criação de Deus e a guerra, o bem contra o mal, Deus contra o diabo. A partir de então, Deus tem usado deste expediente para consolidar seu propósito na face da terra, de forma a ser chamado no antigo testamento de “Senhor dos exércitos” (II Rs 3:14), de “Homem de guerra” (Ex 15:3), o que não significa necessariamente que ele tenha prazer nisto, mas que não medirá esforços para levar a cabo os seus planos eternos, de guerra em guerra.
Nós, Igreja, somos o braço de Deus vivo, seus carros e cavaleiros para fazer frente às batalhas do presente século, para lutar contra as “potestades e domínios nas esferas celestiais” (Ef 6: 12). O Senhor está levantando um grande exército. E o tem feito pelo acirramento da batalha, que mina os muros e as fortalezas da cidade.
Nestes dias há a necessidade premente de se fechar as frestas do muro ao derredor da Igreja. Por isso, homens e mulheres têm sido chamados para cumprir um ministério semelhante ao de Esdras e de Neemias. Homens e mulheres, imbuídos de coragem, autoridade espiritual e temor a Deus. Não apenas os muros têm que ser remendados, mas também o templo precisa ser restaurado até o estágio da perfeição, da noiva imaculada e sem ruga. O inimigo tem que ser expulso e mantido a distância.
Uma vez restaurados os aspectos físicos da Igreja, há a necessidade de se restaurar o culto, transmitir a palavra de Deus, expressar os oráculos eternos ao povo que é chamado pelo seu nome.
A exemplo dos dias do Israel patriarcal e dos primórdios da Igreja, quando falou por meio do seu próprio Filho (Hb 1:1-5), nos presentes dias Deus tem falado à humanidade de diversas formas. O fluxo da palavra de Deus, entretanto, passa pelo gargalo do homem, “a quem enviarei?” – pergunta o Senhor no livro de Jeremias.
Deus fala e tem falado, mas precisa do homem para continuar falando, de homens e mulheres que se coloquem à disposição do Senhor como vasos de bênçãos, como botijas cheias e transbordantes, como rios transbordantes de água viva!
Mas a coisa não é tão fácil como aparenta: viver para Deus, cumprir seu propósito, anelar pela vida eterna, levar a vida entre uma pregação e uma oração… Há um custo, e não é pequeno, trata-se da própria vida: “não vivo eu, mas Cristo vive em mim…” Não se trata de perder a identidade, mas de identificar-se com Ele e identificar-se em sua morte, na angústia da cruz, pela qual necessita passar todo homem e mulher que queira responder com sinceridade “eis-me aqui, Senhor”.
O Senhor está levantando um grande exército, pois a batalha é intensa, os dias são maus e a seara está no ponto. O recrutamento está aberto e a estratégia de Deus está definida: Ele ferirá o inimigo pela ação dos ministérios da Igreja.
O ministério tem a ver com a unidade orgânica da Igreja, ou seja, são as partes que a compõem e que expressam suas ações. Ministério é serviço (da raiz grega “diaconia”: servir à mesa), é doação e integração. Um ministério não tem um fim em si próprio, ele só tem sentido se estiver integrado com os demais ministérios, coeso no Corpo, segundo a analogia de Paulo em I Cor 12.
A exemplo da formação do exército de Josafá (II Cr 20:20-22), onde os cantores descortinavam o “front”, seguindo à frente do exército e garantindo a sintonia com o Senhor da batalha, seguidos pelos guerreiros que feriam os inimigos com suas espadas imbatíveis e certos do apoio logístico daqueles que ficavam à retaguarda, responsáveis pelos suprimentos do exército, temos vivido essa estratégia de guerra baseada no alinhamento dos ministérios.
O exército não se baseia na força de um homem, mas no entrosamento do conjunto: Louvor abrindo espaços, Palavra conquistando espaços e Oração suprindo o vigor de todo o exército. Trata-se de uma corrente com muitos elos, se um quebrar, a corrente toda se desfaz.
Talvez estas coisas lhe sejam muito óbvias. Talvez você já tenha lido muitos livros a respeito do assunto e até dado palestras sobre ele. Mas qual é a sua posição neste exército? Você está realmente ativo nesta guerra, que não define mortos ou feridos, mas sim, salvos ou condenados? Ou tem estado ocupado com as suas próprias guerras e batalhas interiores? Você já se encaixou no ministério para o qual foi chamado, ou está dando um tempo no ministério de “esquentar banco”?…
Até que se instale o reino do príncipe da paz, viveremos em guerra, por isso o Senhor está levantando um grande exército no intuito de conduzir seu povo à vitória final e ao coroamento de seu propósito, qual seja, o advento da Igreja Gloriosa encabeçada por Jesus. O Senhor conclama que cada um participe de sua estratégia e partilhe de sua vitória, sem temer pagar o preço. Você está pronto ou vai se deixar levar pelo espírito do presente século?