Hombridade e a Casa Digna

Por: Pedro Arruda Data: 28/11/2009
Hombridade e a Casa Digna

Mt.9:35-10:42; At.13 e 14; I Tm.3:1-13; Tt.2:10

Encontramos no Evangelho de São Mateus a expressão “casa digna”. Evidentemente que se trata da dignidade do ponto de vista social, da casa de alguém que tem credibilidade junto à comunidade onde mora, considerando sua atitude honesta de maneira geral perante a sociedade. Encontrar essa casa e a pessoa correspondente fazia parte da missão da qual Jesus encarregara seus doze discípulos. Esse encargo vai ao encontro do pedido “orai ao Senhor da seara para que envie ceifeiros para sua seara”, que Jesus lhes havia feito. Convencionalmente esse texto é aplicado à evangelização, mas parece não ser esta a expectativa de Jesus quando tem em vista não o fazer novas ovelhas, mas reunir as que se achavam dispersas, não obstante freqüentarem com regularidade a sinagoga. Jesus pronuncia a casa e o homem dignos como solução ao problema que ele acabava de constatar: a falta de pastores para pastorearem as ovelhas desamparadas, assim consideradas aquelas multidões diante dele.

Para facilitar nosso raciocínio, imagino que não seja inadequado pensar numa multidão de 12.000 pessoas, incluindo mulheres e crianças, se estimarmos um censo por ocasião dos milagres da multiplicação dos pães. Jesus encarnado se achava insuficiente para pastorear toda essa gente. Ainda que a dividisse entre os 12 apóstolos, resultaria uma proporção de 1.000 pessoas para cada apóstolo, mantendo impraticável o pastoreio. Portanto Jesus enviou os doze não para pastorear, mas sim para que procurassem pastores para aquela multidão de ovelhas desgarradas. Para isso deveriam encontrar os homens dignos cujas casas, também dignas, serviriam de apriscos. O êxito da tarefa não seria alcançado se os apóstolos se limitassem a trocar algumas palavras ao portão das centenas de casas que percorreriam, passando sem detença à seguinte. Iam com a missão de se instalarem para verificar o andamento do lar. Eram enviados para constatar se as casas que os recebiam era hospitaleiras, pois esse seria um requisito para servir de aprisco às ovelhas, ou mesmo às primeiras igrejas que surgiriam nas casas.

Há uma grande correlação dessa empreitada com a missão de Barnabé e Saulo, relatada nos Atos dos Apóstolos. Embora esta outra dupla tenha ido de cidade em cidade procurando primeiramente os judeus – as ovelhas perdidas da casa de Israel -, seguindo a mesma orientação que Jesus dera aos 12 inicialmente, principiaram pelas sinagogas, lugar mais provável onde encontrariam as ovelhas que procuravam. No retorno dessa viagem, ao invés das sinagogas, eles se dirigiram às casas provavelmente consideradas como dignas e escolheram homens dignos para que tomassem a responsabilidade pelo cuidado da igreja local. Ou seja, proveram pastores e aprisco para as ovelhas perdidas da casa de Israel.

Quando Paulo instrui Timóteo quanto à escolha de homens para dirigir a Igreja, é razoável que ele tinha em mente as mesmas recomendações de Jesus e aquilo que, juntamente com Barnabé, praticou no retorno da primeira viagem missionária. Portanto, naqueles tempos, o que mais contava para que alguém exercesse o ministério não era a eloqüência adquirida em cursos de comunicação nem a argumentação teológica obtida em bons seminários ou coisa semelhante. Para ser aprovado na banca examinadora o que pesava era a dignidade do homem perante sua família e a mesma dignidade que sua família lhe conferia perante a sociedade.

Como Paulo dissera a Tito, tais homens “adornam a doutrina de Cristo”. Ou seja, esses homens, em virtude de sua respeitabilidade social, tornam atraentes assuntos como dar vida a favor do outro, carregar a cruz, oferecer a outra face que, convenhamos, não são tão convidativos. Um exemplo disso é Cornélio, o centurião que, de acordo com a ordem de um anjo, convidou seus parentes e amigos para ouvirem Pedro, uma pessoa a quem não conhecia, acerca de algo que também era novidade. Quando fez esse convite, Cornélio estava emprestando sua credibilidade aos convidados. Com certeza, o fato de ser um homem reto e bondoso influenciou muito a decisão de seus convidados para comparecerem à casa dele. Alguém sem essas qualificações teria muita dificuldade em ajuntar pessoas para uma reunião como essa, pois muitas iriam achar que estariam perdendo o seu tempo ou se deixando passar por tolas.

Normalmente as pessoas conhecem seus vizinhos e, quanto menor o lugar, maior é o raio de conhecimento e influência. É fato também que a credibilidade não diz respeito unicamente à pessoa, mas também à família. A má fama de uma casa colocará sob suspeita todos os seus freqüentadores. O inverso também é verdade, pois quem freqüenta uma casa de respeito receberá idêntico prestígio da comunidade. Tudo isso torna muito compreensível as intenções de Jesus ao recomendar homens dignos e casas dignas, o que foi testado com sucesso tanto pelos doze apóstolos como também por Paulo e Barnabé.

Também em outras ocasiões diferentes, Jesus falou sobre o relacionamento entre ovelhas e pastor. Numa delas, disse que a ovelha segue seu pastor porque conhece a sua voz e em outra ocasião, exemplificou que o bom pastor deixa no aprisco as 99 ovelhas e sai à procura da centésima que se desgarrou. Para ser sincero, esse quadro é bastante diferente quando o comparamos à situação atual nas igrejas, cujas estruturas tornaram a atividade pastoral bastante complexa, pois o pastor moderno não pode restringir-se apenas a cuidar do rebanho. São tantas as atribuições que lhe competem que o pouco tempo que lhe sobra precisa ser dedicado à busca de ovelhas. Por mais que se esforce, ainda não consegue dar conta de todas. Isso é tão fatigante que dá a sensação de haver apenas uma ovelha no aprisco e 99 desgarradas. Nesse caso, parece que é o pastor que ouve a voz das ovelhas e tenta segui-las.

O fato de haver tanta queixa de falta de pastoreio não estaria ligado à falta de homens dignos que ofereçam aprisco em suas casas, sem necessariamente uma vinculação ao clero profissional-denominacional?

Desenvolvido a partir da mensagem proferida pelo Pr. Jamê Nobre, na

“Semana de Reflexão Profética”, em fevereiro de 2005, em Monte Mor

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